Este post contém spoilers do filme O Drama.
Um dia antes da estreia do filme O Drama, estrelando Zendaya e Robert Pattinson, a organização de prevenção da violência armada nos Estados Unidos March for Our Lives divulgou um comunicado criticando a campanha de marketing da comédia romântica sombria da A24 como “profundamente inadequada”.
Na quinta-feira, o grupo de ativismo liderado por estudantes publicou um aviso no Instagram, observando que, embora a organização não quisesse estragar a premissa do filme, tinha a obrigação de discutir os temas apresentados em O Drama. Embora grande parte da turnê de imprensa tenha evitado conversas sobre o tema, o que foi anunciado como a “reviravolta” do filme se revela logo no início, quando Emma, a noiva interpretada por Zendaya, revela que a pior coisa que já fez foi orquestrar um tiroteio em massa em sua escola.
Mesmo que a personagem não tenha levado a ameaça adiante, a organização acredita que um enredo tão grave não foi tratado com a seriedade e respeito que deveria. Especialmente nos Estados Unidos, onde já foram registrados mais de 420 ataques armados à escolas apenas nos últimos 25 anos. Segundo dados do Washington Post, até o final de 2024, quase 400 mil crianças presenciaram violência armada em seus locais de ensino.
“O filme pode estar tentando abordar questões reais sobre responsabilidade e mudança, mas a estratégia de marketing da A24 não acompanha essa intenção”, diz o comunicado da March for Our Lives. “Com um tema tão sério, especialmente nos EUA, essa conversa não pode começar e terminar na tela. Ela precisa se refletir na forma como o filme é apresentado. Entendemos que a arte pode provocar desconforto e usar o humor para abordar assuntos difíceis. Mas quando algo como um tiroteio em uma escola é tratado com leveza ou usado para fins irônicos, isso levanta uma questão mais profunda: que tipo de conversa isso pretende iniciar?”
A publicação conclui que, mesmo que o filme de fato leve a conversas sobre o assunto, a divulgação do filme está profundamente em desacordo com a realidade que retrata. Em uma entrevista adicional à IndieWire, a diretora executiva da March for Our Lives, Jaclyn Corin, acrescentou que “deixar [o marketing] no ar, não assumir responsabilidade e não discutir o quão pesado e real é esse tema é, na melhor das hipóteses, uma oportunidade perdida, mas, na pior, prejudicial.”
Corin concluiu para a IndieWire: “Quando famílias e sobreviventes expressam desconforto, isso deve ser tratado com respeito. Oferecer mais clareza sobre o tom e a intenção, dando ao público uma noção melhor do que o filme realmente está tentando fazer. A alegação de que eles esperam que este filme estimule o diálogo; eles próprios poderiam organizar um debate com o diretor, o cineasta ou os atores e atrizes envolvidos, exemplificando de fato como seria uma conversa produtiva e séria sobre a violência armada.” Embora a declaração chame a produtora pelo nome, dizendo que esperam mais dela e dos artistas por trás, não houveram comentários por parte da A24 ou dos responsáveis pelo filme.