The Tank foi adquirida, de forma discreta, pela Prime Video ainda no início desse ano. O thriller da Segunda Guerra que teve uma curta, mas boa recepção nos cinemas alemães, chegou com grande impacto, alcançando rapidamente o topo da lista dos filmes mais assistidos da plataforma. No entanto, rapidamente ele perdeu esse posto.
O filme prometia ser uma tensão claustrofóbica, com dilemas morais e o peso esmagador de um tanque Tiger avançando pela neve soviética. Mas “Der Tiger”, no original alemão, chegou ao Prime Video cercado de expectativa e rapidamente perdeu fôlego. O que deveria ser um thriller de guerra sufocante acabou se tornando um título de nicho, restrito aos aficionados por blindados e reconstruções históricas.
Dirigido por Dennis Gansel, o longa germano-tcheco mergulha na Segunda Guerra Mundial sob a perspectiva de cinco soldados alemães encarregados de uma missão arriscada em 1943: atravessar território soviético para resgatar o coronel Von Hardenburg. O cenário é promissor, mas o resultado é irregular.

Confinados no front russo
A premissa aposta em um recorte fechado: grande parte da narrativa se passa dentro do tanque, transformando o veículo de guerra em microcosmo psicológico. A missão rapidamente se complica, e o que começa como operação estratégica se converte em espiral paranoica, alimentada por medo, exaustão e pelo uso de metanfetamina, substância distribuída para as tropas alemãs na época.
O filme tenta equilibrar combate externo e colapso interno. Enquanto o Exército Vermelho avança, os personagens enfrentam fantasmas pessoais e tensões ideológicas. A proposta de um huis clos bélico tem força dramática, especialmente quando confronta o espectador com a banalidade da violência e com a deterioração moral em ambientes extremos.
No entanto, a promessa de tensão contínua não se sustenta integralmente. O ritmo oscila, e a sensação de urgência se dilui em sequências que alongam o conflito sem ampliar seu impacto emocional.
Elenco comprometido, recepção dividida
O elenco entrega atuações consistentes. David Schütter conduz o grupo com intensidade contida, enquanto Laurence Rupp imprime rigidez ao seu personagem. Tilman Strauss e André Hennicke completam o núcleo central com performances que evitam caricaturas fáceis.
A crítica, porém, dividiu opiniões. Enquanto parte da imprensa europeia elogiou a atmosfera opressiva e o cuidado estético, destacando fotografia e direção de arte como pontos altos. Outros veículos midiáticos questionaram a abordagem narrativa, acusando o roteiro de oscilar entre reflexão histórica e vitimização problemática de soldados nazistas.
Mas há também críticas ao excesso de previsibilidade e à condução dramática irregular. O longa tenta dialogar com produções contemporâneas de guerra que exploram trauma e ambiguidade moral, mas nem sempre encontra equilíbrio entre espetáculo e densidade temática.
Por que The Thank afundou no Prime Video?
Com 1h56 de duração e foco específico em operações blindadas, The Thank encontrou barreira natural no streaming. Em um catálogo dominado por blockbusters e franquias globais, o thriller histórico não conseguiu disputar atenção com produções de apelo mais amplo.
Visualmente competente e tecnicamente bem executado, o filme carece de um elemento catalisador que o transforme em conversa coletiva. Para entusiastas de história militar e estudos sobre a Segunda Guerra, pode ser uma experiência interessante. Mas, para o público geral, o impacto prometido ecoa baixo.
E afinal, no campo de batalha do streaming, nem todo tanque sobrevive.
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