“Vampires of the Velvet Lounge” tenta surfar na onda retrô. No entanto, entrega mais tédio do que nostalgia. Logo nos primeiros minutos, o filme já revela seu maior problema: falta impacto.
A produção lembra aqueles filmes esquecidos do fim dos anos 90. Exibido de madrugada, quando ninguém presta muita atenção. Ainda assim, até esse tipo de obra costumava ter mais personalidade.
Aqui, a sensação é outra. O roteiro parece feito sob medida para quem divide a atenção com o celular.
Exposição sem fim e sem propósito
O filme não confia no público. Por isso, explica tudo o tempo todo. Personagens se apresentam como se estivessem lendo fichas técnicas.
Eles contam quem são, o que fazem e até o que gostam de beber, vira diálogo expositivo, enquanto isso, a narrativa simplesmente não anda.
Nem mesmo produções simplificadas da Netflix chegam a esse nível de preguiça narrativa.

Referências vazias
O diretor Adam Sherman aposta em referências clássicas. Entre elas, surge a infame Elizabeth Báthory como base da mitologia.
A abertura tenta evocar o estilo de Buffy the Vampire Slayer, porém, falta o principal: motivo para se importar.
O resultado parece um clipe longo com estética vampiresca e zero envolvimento emocional.

Elenco desperdiçado e personagens rasos
O elenco até chama atenção. Nomes como Mena Suvari e Dichen Lachman trazem alguma curiosidade inicial. Mas o roteiro joga tudo fora.
A personagem de Lachman, que poderia brilhar após Severance, mal tem espaço. Surge e some sem deixar vestigios.
Enquanto isso, o filme insiste em clichês. Vampiras sensuais, vítimas ingênuas e conflitos inexistentes.
Visualmente, há alguns acertos. O bar clandestino tem estilo. Algumas cenas até flertam com algo interessante.
Porém, o diretor tenta ser Quentin Tarantino sem entender o motivo do sucesso dele.
Pior ainda, o filme escorrega em escolhas questionáveis. Certas cenas apelam para voyeurismo gratuito. Não provocam. Não acrescentam. Só estão ali.

Um raro destaque no meio do vazio
No meio do desastre, India Eisley surpreende. Ela entrega emoção onde o roteiro falha. Sua personagem é uma das poucas com algum conflito real.
Mesmo assim, nem ela consegue salvar o conjunto. Uma boa atuação não sustenta um filme inteiro.
Quem espera sustos vai se frustrar. O filme troca tensão por sangue gratuito. Os efeitos visuais também não ajudam. Em alguns momentos, parecem inacabados. Em outros, só constrangem.

Vale a pena assistir?
Depende do seu nível de exigência. “Vampires of the Velvet Lounge” é bagunçado, exagerado e, ainda assim, estranhamente assistível.
No fim, o filme não se torna cult. Também não chega a ser memorável. Ele apenas existe.
Se for assistir, faça um favor a si mesmo: não dê 100% da sua atenção. O filme claramente também não deu.