Bonitinho, mas ordinário
Quando a desenvolvedora Bandai Namco anunciou a sequência de Code Vein (2019) durante o Summer Game Fest 2025, a expectativa era de que a fórmula “Soulslike de anime” fosse refinada — afinal, é a mesma empresa que publicou a obra-prima Elden Ring (2022) —, entretanto, Code Vein 2 (2026) esqueceu as lições aprendidas no passado, o que resultou em uma experiência que brilha na estética, mas peca na execução.
Por ser um RPG, mas sobretudo um Soulslike, os veteranos do gênero esperam que seja possível ao menos escolher quais status irão aumentar de nível, todavia, não é o que acontece. Ao contrário do seu antecessor, Code Vein 2 define automaticamente os atributos através dos Códigos de Sangue, que, por sinal, são imutáveis. Em outras palavras, os jogadores sequer têm agência total sobre as próprias builds.
Enquanto o estúdio carrega consigo um grande nome, o desempenho gráfico em cutscenes beira o abismo de Manus. As texturas são renderizadas conforme as cenas cinematográficas acontecem, não fazendo jus às novas tecnologias tampouco ao preço do jogo em si. Além disso, a exploração das regiões sofre de um vasto vazio. O mapa é grande, sim, contudo, não há recompensas valiosas espalhadas na maioria das vezes.
O bestiário também deixa a desejar. A variedade de inimigos e chefes secundários é baixa, e o sentimento de déjà vu atinge o ápice após o encontro com a heroína Josée Anjou. Dali em diante, emerge um ciclo de preguiça criativa nos chefes da história principal, visto que os seus movesets são reutilizados nas versões do passado e do presente, o que compromete diretamente a filosofia “git gud”.
Outra ausência sentida é o co-op. Onde o primeiro título permite que amigos enfrentem o pesadelo juntos, a sequência os isola. Antagonizando Sekiro: Shadows Die Twice (2019), que tem uma proposta totalmente diferente dos outros Soulsborne, e Lies of P (2023), que está perdoado por sua execução impecável, Code Vein 2 perde o seu aspecto social sem oferecer algo em troca que esteja à altura.
Por outro lado, a criação de personagem é louvável. A liberdade criativa é absurda, sendo possível remover e mudar a cor de partes específicas das roupas ou adicionar uma infinidade de acessórios. Infelizmente, quando a caracterização do protagonista é a melhor parte de um jogo, definitivamente há algo de errado com o resto.
Code Vein 2 está disponível nas plataformas PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC, este via Steam.