Confissão sincera para começar: fazia muito tempo que eu não encarava uma trilogia de frente. Uma saga inteira, três livros, compromisso emocional, apego a personagens, esse tipo de coisa. Nem é preguiça, mas eu simplesmente não tenho um bom motivo.
Mas esse problema acaba oficialmente agora. Estou com a trilogia Crônicas de Arauver em mãos, publicada pela Editora Flyve, e não de qualquer jeito: os três volumes autografados pelo próprio Henrique Scopel. Sim, é isso mesmo. O universo conspirou, a fantasia venceu e cá estamos nós começando essa jornada do jeito certo.
Para melhorar ainda mais, tive a oportunidade de conversar com o autor em uma entrevista super bacana, que você pode conferir AQUI. Mas agora é hora de falar do início de tudo:
Crônicas de Arauver – Volume 1: O Retorno do Esquecido.
A história nos apresenta o Reino de Arauver, um lugar onde a magia faz parte do cotidiano e onde a sensação de estabilidade começa a ruir quando sinais de uma antiga profecia voltam a se manifestar. Um inimigo considerado derrotado retorna às terras de Touh, trazendo consigo uma ameaça milenar que coloca todo o reino em risco.
Diante disso, o príncipe parte em uma jornada rumo ao deserto de Zangor Ontuf, acompanhado por seus mestres e por sua inseparável companheira canina, enquanto o rei reúne tropas para enfrentar o exército invasor.
A pergunta que atravessa o livro é simples e poderosa: eles serão capazes de conter o Esquecido ou Arauver está condenado a cair novamente sob sua sombra?
É fantasia, sim
O que mais chama atenção logo de início é como Henrique Scopel constrói uma fantasia nacional que soa familiar sem ser derivativa.
Existe, sim, uma sensação épica que pode agradar fãs de Tolkien e RPGs de mesa, mas Arauver tem identidade própria. Há um viés político claro, um tabuleiro de poder instável, decisões que realmente têm peso e consequências que não são apenas simbólicas. A narrativa é ritmada, visual e muito bem dosada, criando uma leitura fluida que não se perde em descrições excessivas nem atropela os momentos importantes.
O protagonista, Roub, é um dos grandes acertos do livro. Ele é jovem, carismático e carregado de conflitos familiares, o que torna sua jornada ainda mais envolvente. Acompanhamos seu crescimento de perto, aprendendo sobre o mundo junto com ele, entendendo a magia, a história do reino e as pessoas que o habitam.

Existe algo muito especial nessa sensação de caminhar lado a lado com o personagem, como se o leitor estivesse sentado à mesa observando cada decisão ser tomada.
O universo de Arauver é apresentado de maneira orgânica, com direito a mapa, um detalhe que faz toda a diferença para quem gosta de se situar geograficamente dentro da narrativa. O sistema de magia é interessante, bem fundamentado e integrado à lógica do mundo, o que ajuda a justificar ações, conflitos e escolhas dos personagens. Tudo funciona de forma convincente e imersiva, sem parecer chato, didático ou artificial.
Narrado em terceira pessoa com foco principal em Roub, o livro equilibra muito bem aventura juvenil, tensão crescente e toques mais sombrios. Apesar de manter um tom acessível e até leve em alguns momentos, O Retorno do Esquecido não foge de temas mais densos, nem subestima o leitor: há uma sensação constante de desconfiança, de que nem tudo é o que parece, e isso mantém o interesse do início ao fim.
Os personagens secundários também são bem construídos, cada um com personalidade própria e funções claras dentro da trama. A dinâmica entre eles reforça a sensação de grupo, de jornada compartilhada, algo essencial em histórias épicas e a fiel companheira canina do príncipe, inclusive, é daquelas presenças que conquistam sem esforço e ajudam a dar ainda mais coração à narrativa.
O final do livro cumpre exatamente o que se espera de um primeiro volume de trilogia: entrega respostas suficientes para satisfazer, mas deixa perguntas importantes que despertam uma necessidade quase imediata de continuar a leitura. Existe ali um gancho bem calculado!
Crônicas de Arauver Vol. 1 é um início impactante, envolvente e muito promissor. Uma fantasia nacional que entende suas referências, mas não vive à sombra delas. Uma história que entretém, constrói mundo, desenvolve personagens e deixa claro que ainda há muito a ser explorado.
Agora só me resta uma coisa: correr para o segundo volume, porque essa jornada está longe de terminar.
Leia Também:
- Aclamada comédia dramática “Shrinking” (“Falando a Real”) é renovada pela Apple TV
- Task Force Admiral – Vol.1: American Carrier Battles chega ao Acesso Antecipado em 27 de janeiro
- “Surely Tomorrow”: Romance, Destino e Segundas Chances
- Falando a real: Harrison Ford e Jason Segel estão de volta na terceira temporada da comédia da Apple TV+