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Super Mario Galaxy – nostalgia frenética

No início de 2013, a Disney lançou um novo subgênero de animação com Detona Ralph: a animação para pais assistirem com suas crianças. Em suma, é uma aventura de narrativa simples e infantojuvenil, mas com elementos nostálgicos que prendem a atenção dos adultos. Super Mario Galaxy, animação feita pela Illumination Entertainment em conjunto com a Nintendo e distribuída pela Universal Pictures, é a mais nova obra audiovisual dessa leva – o que não é nenhum demérito.

Super Mario Galaxy se baseia no game homônimo – lançado em 2007 para o console Nintendo Wii, onde fez um sucesso estrondoso com uma nova mecânica de jogo – para apresentar não só novos personagens (como os Lumas e a princesa Rosalina), mas também se aprofundar na mitologia do universo de Super Mario Bros., expondo que há outros mundos e galáxias que podem ser acessados das mais diversas formas. A narrativa, inclusive, inicia-se com a nova princesa, demonstrando não só seus poderes e a sua importância no universo, mas também indicando que ela sabe exatamente quem é a princesa Peach, os irmãos Mario e até mesmo o Donkey Kong. Essa relação é o que permitirá interligar os acontecimentos dela com o núcleo já conhecido do primeiro filme (Super Mario Bros., de 2023).

Sem tempo para respirar

Assim como nas fases mais complexas dos jogos do encanador bigodudo, Super Mario Galaxy tem um ritmo frenético; se excluirmos um pequeno trecho que se passa numa espécie de México, e depois numa festa de aniversário, o filme se passa quase completamente em uma ação desenfreada, incluindo a própria cena de abertura. Isso auxilia a dar o dinamismo necessário para o filme, mesmo que possa incomodar uma ou outra pessoa espectadora que gostaria de ter um tempinho para respirar. A decisão de dividir o grupo principal em dois foi um fator que colaborou positivamente para tornar a experiência da animação mais envolvente ao grande público.

Em comparação com o primeiro filme – no qual há todo um arco de aprofundamento da persona do Mario (e um pouco do Luigi), além do descobrimento do mundo dos cogumelos e o seu crescimento (sem trocadilhos com o cogumelo) como personagem e herói –, Super Mario Galaxy já tem Mario, Luigi, Toad e Princesa Peach estabelecidos como heróis corajosos e imponentes, adicionando Yoshi à equipe de forma muito rápida e precisa. Logo, a narrativa fora do plot principal se dá apenas a pequenas evoluções, como a do relacionamento entre dois personagens específicos, revelações importantes sobre o passado da princesa Peach e uma nova faceta para o Bowser – o que talvez seja o maior problema da animação.

Desenvolvimento de Personagem para quê?

Ok, não vamos tentar fazer um estudo de caso sobre a narrativa de uma animação infantojuvenil, mas também não há motivo para sermos rasos, correto? Em Super Mario Galaxy, o antagonista da vez é o Bowser Jr., filho do famoso vilão Bowser, e tudo o que o menino quer é ter seu pai de volta – aprisionado pela Princesa Peach no fim do primeiro filme. Mais que isso, Bowser Jr. quer deixar o pai orgulhoso, mostrar a ele que, durante sua ausência, o filho conseguiu arquitetar tudo o que seu genitor sonhara em fazer. Já Bowser, durante sua clausura, tenta suprir sua fúria, tornar-se uma criatura melhor e ser merecedor de libertação por bom comportamento. Enquanto Luigi acredita na redenção de Bowser, Mario se mantém cético.

Sem querer dar grandes spoilers (e se você, pessoa leitora, não quiser ter sua experiência enviesada por esse texto, sinta-se à vontade para pular para o próximo parágrafo), a dinâmica parece interessante no início, mas não se paga no decorrer da animação. Na realidade, se todo o trecho da melhora de comportamento do Bowser fosse ignorado e ele simplesmente fugisse quando teve a chance, a história poderia se manter da mesma forma até o final, sem mudar um “a”.

Nostalgia

Agora que terminamos de falar sobre narrativa, podemos partir para o que realmente rege Super Mario Galaxy: a nostalgia. Além – obviamente – de trazer vários elementos do jogo de mesmo nome, a animação está recheada de referências a jogos antigos e mais recentes dos irmãos encanadores, bem como algumas da própria Nintendo. De trilhas sonoras marcantes a figuras emblemáticas, Super Mario Galaxy entrega trechos que vão de Super Mario Bros. 2 (talvez a melhor sequência do longa) a Super Mario Maker, fazendo o público mais velho reagir a todo momento tal qual o meme do Leonardo Di Caprio em Era Uma Vez… Em Hollywood.

A cereja do bolo fica a cargo de Fox McCloud, personagem que é apresentado como solução para uma viagem pela galáxia e conta com uma montagem estilo anime para explicar como ele caiu naquele universo. Ao fim do longa, é possível cravar que logo menos veremos uma produção exclusiva da raposa mais famosa da Nintendo – garantindo mais uma animação para pais levarem seus filhos ao cinema.

Conclusão

Super Mario Galaxy não foge do que é esperado dele: uma animação bonita, de encher os olhos dos espectadores de qualquer idade, com muita ação e uma linha narrativa minimamente coesa para justificar as altas injeções de nostalgia. Redondinho, não oferece necessariamente insumos para uma continuação, ao passo que facilmente conseguiria adaptar algum outro arco dos games para uma nova aventura. Não adianta ir aos cinemas esperando uma produção digna de explodir mentes ou com um enredo recheado de metalinguagem; é um longa feito exclusivamente para agradar as crianças – desde os 6 até os 50 anos.

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