Em 16 de julho de 1999, o Piper Saratoga que John F. Kennedy Jr. pilotava sofreu um acidente e caiu no Oceano Atlântico. O herdeiro de uma das maiores e mais influentes famílias políticas nos Estados Unidos, bem como sua esposa Carolyn Bessette e a irmã de Carolyn, Lauren Bessette não sobreviveram à queda. Os destroços foram encontrados apenas dias depois, e mais um dia até que os corpos fossem recuperados do fundo do oceano.
Não deveria ser um voo complicado, ou mesmo longo. O plano era decolar do Aeroporto de Essex, em Nova Jersey, deixar Lauren em Martha’s Vineyard, Massachusetts, e seguir para Hyannis Port para participar do casamento. Mas diversos fatores combinados contribuíram para o acidente fatal que chocou todo o país.
Circunstâncias da queda
Segundo o relatório da Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), a noite de 16 de julho era escura e com uma neblina leve, porém suficiente para impactar a visão. Pilotos mais experientes que também voavam ao mesmo tempo relataram não ter conseguido avistar o horizonte visual enquanto sobrevoavam a água. JFK Jr., porém, não possuía a formação correta para este voo.
Kennedy ainda estava se preparando para obter sua habilitação de voo por instrumentos, necessária para que um piloto utilize os instrumentos da cabine, e essencial para que ele conseguisse sobrevoar o oceano escuro daquela noite, com visibilidade de três a cinco milhas na neblina. Ele possuía treinamento apenas em voo visual, ou seja, olhar para fora da aeronave e ser conduzido pelas referências visuais. A situação sobrepassava a experiência de JFK Jr.
O herdeiro da família Kennedy não era um piloto inexperiente. Ele tinha cerca de 310 horas de experiência de voo no total, e já havia feito o mesmo trajeto indo ou voltando de Martha’s Vineyard mais de 30 vezes, 17 das quais sem um instrutor de voo a bordo. Porém, a aeronave que ele pilotava naquela noite era mais “complexa” que seu habitual Cessna, e ele possuía menos tempo de treino com ela.
De mesmo modo, JKF Jr. também não tinha experiência voando à noite quanto tinha durante o dia. Ao todo, ele tinha cerca de 55 horas de voo noturno, das quais apenas nove foram no Piper Saratoga, aeronave na qual ele, sua esposa e cunhada voavam naquela noite. Apenas três dessas horas no Saratoga foram sem um instrutor de voo a bordo, e os que que incluíram um pouso noturno somaram menos de uma hora. De acordo com o relatório, um instrutor teria se voluntariado para acompanhar o trio, mas foi recusado. Kennedy disse que “queria fazer isso sozinho”.
A causa da queda
A desorientação espacial causada pela neblina foi um fator determinante no acidente, ainda de acordo com o relatório da NTSB. Na biografia de JKF Jr., um dos responsáveis pela investigação, Jeff Guzzetti, explicou que o avião desviou de sua rota antes da queda. “A trajetória de voo dele em direção à água é indicativa de algo chamado desorientação espacial. Seus ouvidos internos estavam pregando peças em seu senso de orientação. Seu ouvido interno diz que você está virando para a esquerda, mas na verdade não está. Então você corrige para a direita, pensando que está nivelando o avião.” afirmou Guzzetti.
A linha do tempo do acidente também é assustadora. Ainda de acordo com Guzzetti, se Kennedy tivesse simplesmente voado em linha reta e nivelado, sem fazer manobras, teria chegado a Martha’s Vineyard em três a cinco minutos.
Love Story: a queda imortalizada
Em 12 de fevereiro deste ano, Ryan Murphy debutou sua nova minissérie Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette, romance turbulento e o casamento conturbado do casal. O pano de fundo engloba o lançamento da revista “George” por JFK Jr., a carreira de Carolyn na Calvin Klein e o peso do implacável escrutínio da mídia obcecada pelo relacionamento dos dois.
Mas como a série termina não é segredo. A queda da aeronave assombra a produção e todos que assistem, com a consciência de qual será o final. Constance Zimmer, que dá vida a Carolyn Bessette, afirmou que será “muito, muito difícil para todos assistirem”. A atriz afirmou que seu maior desafio foi não deixar que seu próprio conhecimento da situação influenciasse sua interpretação.