Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Kingverse: como funciona o multiverso de Stephen King

O chamado Kingverse, também conhecido como o multiverso de Stephen King, é a teia invisível que conecta a grande maioria dos romances, contos e novelas do autor. Embora suas histórias transitem entre o terror, a fantasia, a ficção científica e o western, quase todas coexistem dentro de uma estrutura maior compartilhada, unificada principalmente pela saga A Torre Negra.

Esse multiverso não foi planejado desde o início como um projeto fechado. Ele surgiu organicamen­te ao longo de décadas, a partir de referências cruzadas, personagens recorrentes, conceitos cósmicos e lugares que reaparecem de livro em livro, formando uma cosmologia vasta, fragmentada e profundamente ambiciosa.

A Torre Negra: o eixo de tudo

No centro do Kingverse está A Torre Negra, uma estrutura metafísica que funciona como o nó de todos os tempos, mundos e realidades. A Torre é sustentada por Feixes (Beams) que mantêm o multiverso coeso; se eles caírem, toda a existência colapsa.

O grande antagonista desse sistema é o Rei Rubro, uma entidade que deseja destruir a Torre e mergulhar todos os mundos no caos absoluto. Do outro lado está Roland Deschain, o último pistoleiro, cuja missão é alcançar a Torre e impedir sua destruição, ainda que isso custe tudo.

Gan, o Prim e a criação do multiverso

Antes de tudo existir, havia o Prim, um caos primordial sem forma. Dele surgiu Gan, a divindade criadora do Kingverse. Gan deu origem à Torre Negra como uma manifestação física de seu poder, criando assim os inúmeros mundos conectados a ela.

Ao longo da saga, fica implícito que a Torre não é apenas um edifício, mas algo próximo da encarnação de Gan, o ponto onde criação, tempo e existência se encontram.

Ka, destino e forças cósmicas

Um dos conceitos centrais do Kingverse é Ka, palavra que significa destino, caminho inevitável. Personagens ligados por Ka formam um ka-tet, um grupo unido por uma força maior do que escolha ou acaso.

Além disso, existem forças primordiais que regem o equilíbrio do multiverso, especialmente o Propósito (Branco) e o Acaso ou Caos (Vermelho), apresentados com mais clareza em Insônia. Essas forças influenciam eventos, personagens e até realidades inteiras.

Espaços entre mundos: Todash e Macroverso

O Kingverse não é feito apenas de mundos, mas também do espaço entre eles. Esse vazio é chamado de Todash, uma espécie de dimensão intermediária habitada por criaturas antigas e hostis.

Relacionado a isso está o Macroverso, plano de existência de entidades cósmicas como Pennywise e Maturin, a tartaruga guardiã de um dos Feixes. Esses seres existem fora da compreensão humana e reforçam o caráter lovecraftiano do universo de King.

Terras-chave e realidades alternativas

Dentro do multiverso, algumas realidades são mais importantes do que outras. A principal é a chamada Keystone Earth, uma versão do nosso mundo considerada o pilar da realidade. É nela que existe uma versão ficcional do próprio Stephen King, que passa a integrar a narrativa da Torre Negra.

Outros livros se passam em versões “comuns” da Terra, como IT, O Iluminado, Carrie e Zona Morta, mas todos compartilham fissuras, símbolos e conexões com a Torre, desde cidades recorrentes como Derry e Castle Rock até números simbólicos, como o infame 19.

Personagens que atravessam histórias e metaficção

Alguns personagens funcionam como viajantes do multiverso. O mais famoso é Randall Flagg, antagonista de A Dança da Morte, Os Olhos do Dragão e A Torre Negra. Outro exemplo marcante é Padre Callahan, que sai de Salem’s Lot para integrar diretamente a jornada de Roland. Essas travessias reforçam que nenhuma história existe isoladamente.

Após quase morrer em um acidente em 1999, Stephen King decidiu inserir uma camada ainda mais radical no Kingverse: ele mesmo como personagem. Em Canção de Susannah, Roland e seu ka-tet encontram King, que descobre ser um instrumento de Gan, responsável por escrever a própria realidade.

Se King morrer antes de terminar a saga, o multiverso cai. Essa decisão transforma o Kingverse em uma obra profundamente metaficcional, onde criação, autor e universo se misturam.

O ciclo eterno da Torre

O final de A Torre Negra revela que a jornada de Roland é cíclica. Ao alcançar a Torre, ele é lançado de volta ao início de sua missão, condenado a repetir o caminho até que talvez, um dia, faça algo diferente. Esse ciclo eterno é o que mantém os mundos girando. O multiverso de King não busca um encerramento definitivo, mas sim a manutenção do movimento, da narrativa e da existência.

Embora a maioria das adaptações evite o conceito de multiverso, algumas obras abraçaram essa ideia, como o filme A Torre Negra e a série Castle Rock, que apresenta uma versão alternativa da famosa cidade.

Outras obras, como Ur, The Talisman, Black House e Revival, expandem ainda mais esse mosaico de realidades paralelas, sugerindo que o Kingverse nunca estará completo.

Apoie o nosso Projeto através da chave pix: contato@theblackcompany.com.br
ou com QR Code abaixo:
upload de bloco de imagem

Siga a Black nas redes sociais: https://beacons.ai/blackcompanybr

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *