O estúdio ARVORE desembarca no South by Southwest com uma experiência em realidade virtual que mistura narrativa interativa e inteligência artificial generativa.
O projeto se chama Fabula Rasa: Dead Man Talking. E, sim, a proposta é simples: convencer um rei medieval a não mandar você direto para a morte.
A experiência disputa a categoria XR Experience Competition durante o SXSW 2026, realizado entre 12 e 18 de março em Austin.
Da consagração com The Line a uma nova aposta em VR
Antes de tudo, vale lembrar: a ARVORE não chegou agora.
O estúdio ganhou destaque mundial com The Line, vencedor do Primetime Emmy Award e também do Leão de Veneza em 2019.
Na época, o projeto apostava em uma narrativa linear e contemplativa. Agora, o estúdio decidiu em vez de seguir um roteiro fixo, Fabula Rasa entrega conversas improvisadas com personagens controlados por IA. O resultado lembra um RPG teatral dentro da realidade virtual.
Preso em uma gaiola e prestes a morrer
A premissa já começa nada amigável. O jogador aparece em uma pequena vila medieval acusado de crimes misteriosos.
Você está preso em uma gaiola. E o próximo passo seria alimentar um monstro no poço da cidade.
Portanto, a única saída é negociar. Você conversa com moradores, coleta informações e tenta convencer o rei a poupar sua vida.
NPCs que realmente conversam com você
Os personagens usam Large Language Models (LLMs) para ouvir, interpretar e responder ao jogador em tempo real, reagindo às suas falas e decisões. Nada de diálogos repetidos.
Cada personagem possui histórico, personalidade e objetivos próprios. Além disso, designers narrativos criaram perfis detalhados para orientar o comportamento da IA, dessa forma nenhuma partida será igual à outra.
A experiência dura cerca de 30 minutos e apresenta apenas dois finais possíveis: Viver ou morrer. O caminho até esse julgamento depende totalmente da sua capacidade de improviso.
IA como ferramenta criativa e não como atalho
A equipe da ARVORE faz questão de deixar algo claro. A inteligência artificial não substitui o processo criativo, ela funciona como extensão da narrativa.
Segundo a diretora criativa Luiza Justus, a tecnologia amplia a imaginação da equipe. O estúdio combinou princípios de improvisação teatral com sistemas generativos. Assim, a IA controla o raciocínio dos personagens enquanto o motor do jogo cuida das ações físicas.
Enquanto isso, o jogador conduz a história. O mundo virtual reage tanto às palavras quanto aos movimentos dentro do ambiente.
Fantasia medieval com humor e teatralidade
Dirigido por Luiza Justus e Marcelo Marcati, o projeto brinca com clichês clássicos da fantasia medieval e faz isso com estilo teatral e visual estilizado.
Outro detalhe interessante: o jogo suporta vários idiomas. Entre eles estão inglês, português, espanhol, francês e italiano.
O SXSW como palco da inovação
Participar do South by Southwest não acontece por acaso.
O festival reúne gigantes da tecnologia, cinema, música e cultura digital. Por isso, virou vitrine para ideias que podem moldar o futuro da indústria criativa.
Segundo Ricardo Justus, apresentar uma experiência baseada em IA nesse ambiente ajuda a ampliar o debate sobre o uso dessas ferramentas no entretenimento e também coloca o Brasil na conversa.
ARVORE: o estúdio brasileiro que conquistou a VR
Fundada no Brasil, a ARVORE se especializou em criar mundos imersivos com tecnologias de XR. Além de The Line, o estúdio também lançou títulos conhecidos da comunidade VR.
Entre eles estão YUKI e a franquia Pixel Ripped, que inclui Pixel Ripped 1989, Pixel Ripped 1995 e Pixel Ripped 1978.
Com prêmios importantes no currículo e presença constante em eventos globais, o estúdio virou um dos nomes mais relevantes da XR na América Latina.
E agora, com Fabula Rasa, quer provar que o futuro da narrativa interativa pode começar com uma simples pergunta: Você consegue convencer um rei a não mandar você para a morte?