Quando se fala em Resident Evil, é comum que a memória do público vá direto para os títulos numerados. No entanto, ao longo de quase três décadas, a franquia da Capcom construiu parte essencial de sua mitologia em jogos considerados spin-offs, capítulos paralelos que expandiram personagens, exploraram novas perspectivas e prepararam terreno para eventos futuros da série principal.
Entre esses títulos, poucos são tão importantes quanto Resident Evil – Code: Veronica. Embora não carregue um número no título, o jogo é frequentemente tratado como uma versão 3.5 por muitos fãs. A trama acompanha Claire Redfield após os eventos de Resident Evil 2 e aprofunda a história da família Ashford, além de desenvolver o arco de Albert Wesker, considerado morto após os eventos do primeiro jogo e cujas as ações ecoam diretamente em Resident Evil 5. Na prática, Code: Veronica sempre foi uma peça central disfarçada de spin-off.
Outro marco foi Resident Evil Outbreak, pioneiro ao apostar em uma experiência cooperativa online no PlayStation 2. Ambientado durante o caos da destruição de Raccoon City, o jogo apresentou personagens civis tentando sobreviver ao colapso viral. Entre eles estava a jornalista Alyssa Ashcroft, cuja investigação sobre a Umbrella ajudava a costurar os bastidores da tragédia. Embora por muito tempo tenha sido tratado como um experimento isolado, Outbreak expandiu a visão do universo da série ao mostrar que a história não se restringia apenas a agentes treinados ou membros de forças especiais.

Anos depois, Resident Evil Revelations e Revelations 2 reforçaram o papel dos spin-offs como pilares narrativos. O primeiro se encaixa entre Resident Evil 4 e 5, aprofundando a atuação da BSAA e desenvolvendo ainda mais Jill Valentine. Já o segundo explora as consequências psicológicas e biológicas dos experimentos virais, além de trabalhar o legado de personagens clássicos como Claire Redfield e Barry Burton. Ambos ampliaram o universo político e bioterrorista da franquia, preparando o terreno para a abordagem mais madura vista em Resident Evil 7 e Village.
Essa tradição de expandir a narrativa por caminhos paralelos ganha novo peso com Resident Evil Requiem. O próximo capítulo da franquia trará como uma das protagonistas Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft. A escolha da personagem não apenas resgata um nome do passado, mas confirma que a Capcom vê seus spin-offs como parte orgânica da cronologia oficial.
Ao transformar a herança de Outbreak em peça-chave da nova trama, Requiem reforça que nenhum capítulo da série é descartável. Pelo contrário, os spin-offs sempre funcionaram como laboratórios criativos e narrativos, testando mecânicas, expandindo o mundo e introduzindo personagens que, anos depois, retornam com relevância inesperada, mesmo que alguns desses jogos não tenham sido bem recebidos nem por crítica e nem os fãs da franquia. Assista aqui ao último trailer:
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