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Resident Evil Requiem: Capcom acerta (de novo), e redefine a sua própria franquia | Sem Spoilers

A Capcom atualmente é conhecida por ser uma verdadeira fênix nos videogames, uma criatura mitológica que renasce das cinzas para voar novamente. A empresa japonesa tem conseguido reviver suas franquias com sucesso (Megaman, nunca esqueceremos de você…) e, de forma consistente, acertar em suas decisões. Isso fica evidente agora com o lançamento de Resident Evil Requiem, o nono capítulo da principal da franquia de terror da empresa.

Mas, antes, é preciso voltar a 2005, quando a Capcom realizou sua primeira grande revolução na série ao lançar Resident Evil 4 para o Nintendo GameCube (posteriormente adaptado para outras plataformas). Protagonizado por Leon S. Kennedy, que retornava após o sucesso de Resident Evil 2, o jogo trouxe uma mudança radical na estrutura utilizada até então. Em vez das tradicionais câmeras fixas, o título adotou uma perspectiva em terceira pessoa, além de apostar em uma abordagem mais voltada para a ação, com combates intensos, ambientes interativos e maior controle sobre como e onde atirar nos inimigos, incluindo a icônica mira a laser. Essas foram apenas algumas das mudanças. O resultado foi um marco para a franquia, estabelecendo uma nova espinha dorsal para os títulos futuros e consolidando-se como um dos maiores acertos da Capcom, tanto que, até hoje, muitos fãs o consideram seu jogo favorito da série.

Após alguns lançamentos e, principalmente, depois da recepção morna de Resident Evil 6 (2012), um projeto ambicioso com quatro campanhas distintas, crossover entre personagens clássicos e muitas boas ideias, mas cuja execução acabou sendo bastante questionada, a Capcom decidiu dar uma pausa na série. E foi uma decisão acertada.

Em 2017, a empresa lançou um jogo que surpreendeu o mundo e a própria franquia: Resident Evil 7: Biohazard. O título mudou novamente a estrutura da série, desta vez adotando uma perspectiva em primeira pessoa e apostando em uma atmosfera mais opressora e aterrorizante, aproximando-se de experiências vistas em jogos como Outlast. O resultado foi um sucesso imediato. Outra grande mudança foi a introdução de um novo protagonista. Em vez de recorrer a personagens clássicos, o jogo apresentou Ethan Winters como rosto dessa nova fase da franquia. A narrativa também se tornou mais densa e perturbadora, com cenas grotescas e o terror ocupando novamente o centro da experiência. Era exatamente o que os fãs esperavam.

Agora, em 2026, recebemos o nono jogo da franquia, que mais uma vez reformula sua estrutura e se estabelece como um dos maiores acertos recentes da série. O jogo é protagonizado por Grace Ashcroft, filha da jornalista Alyssa Ashcroft, personagem vista em Resident Evil Outbreak, e por Leon S. Kennedy, agora mais velho, mais experiente e ainda mais preparado para enfrentar os horrores do universo da franquia.

São dois protagonistas e duas campanhas distintas, que se entrelaçam de maneira muito mais eficiente do que a tentativa vista em Resident Evil 6. Mas Resident Evil Requiem não se limita a isso. O jogo funciona também como uma grande homenagem à própria história da série. A campanha de Grace dialoga diretamente com o tom mais intimista e assustador visto em Resident Evil 7 e Resident Evil Village, enquanto a campanha de Leon resgata a ação mais intensa que marcou sua trajetória em Resident Evil 4 e nos remakes de Resident Evil 2, Resident Evil 3 e do próprio Resident Evil 4.

Do ponto de vista visual, o jogo é extremamente competente. As melhorias na RE Engine (motor gráfico da Capcom introduzido em 2017 com Resident Evil 7) tornam a experiência ainda mais refinada e adaptável às diferentes plataformas em que o título foi lançado. O maior destaque, curiosamente, fica para a versão do Nintendo Switch 2, que impressionou até mesmo o diretor do jogo, Koshi Nakanishi. Os ambientes são ricos em detalhes, os zumbis apresentam maior variedade visual e o design dos personagens se mostra bastante convincente.

No quesito jogabilidade, é aonde o jogo realmente brilha. Cada protagonista possui um estilo próprio, com momentos específicos para se destacar ao longo da campanha. A jogabilidade com Grace é mais cadenciada e focada na sobrevivência e no terror, enquanto a de Leon privilegia uma abordagem mais voltada para a ação.

O grande diferencial está na proposta de Nakanishi de transformar essa homenagem à história da franquia também em um elemento mecânico. Grace tem a perspectiva em primeira pessoa, remetendo diretamente aos títulos mais recentes da série, enquanto Leon mantém a tradicional perspectiva em terceira pessoa.

E o cuidado aparece nos detalhes. Por ser uma personagem menos experiente, Grace demonstra insegurança ao utilizar armas: suas mãos tremem ao mirar, a precisão é menor e os combates exigem mais cautela do jogador. No entanto, conforme a campanha avança, a personagem ganha confiança, algo que também se reflete diretamente na jogabilidade. Além disso, seu espaço de inventário é mais limitado, tornando a gestão de recursos ainda mais importante.

Leon, por outro lado, funciona quase como um verdadeiro tanque de guerra. Mais experiente e bem equipado, ele possui acesso a um arsenal variado e conta com recursos suficientes para lidar com diferentes situações. Isso não significa que as batalhas contra chefes sejam mais fáceis, mas certamente há mais ferramentas disponíveis para enfrentar os perigos. Sua jogabilidade é polida e fluida, algo que, em certa medida, parecia ter sido planejado em Resident Evil 6, mas que naquela ocasião não se concretizou de forma satisfatória.

No fim das contas, Resident Evil Requiem funciona como uma verdadeira ode à história da franquia. O jogo reúne personagens, referências e diversos easter eggs que fãs de longa data certamente reconhecerão, ao mesmo tempo em que equilibra puzzles, ação e terror com grande eficiência. Grace, inclusive, demonstra um enorme potencial para se tornar uma protagonista recorrente no futuro da série, provando que a franquia já pode caminhar sem depender exclusivamente de seus personagens clássicos.

Se a Capcom continuar seguindo esse caminho e souber reconhecer os momentos em que precisa se reinventar, ainda teremos muitas histórias a acompanhar sobre o legado sombrio da Umbrella Corporation. O jogo está disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch 2. Assista ao trailer final aqui:

Para mais notícias relacionadas a Resident Evil Requiem e outras matérias de cultura pop, acesse a página principal da Black Company!

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