O estúdio francês Sandfall Interactive voltou atrás na disputa judicial que iniciou contra o quadrinista Olivier Gay, autor da HQ L’Académie Clair-Obscur.
A confusão começou quando Gay recebeu uma notificação dos advogados da empresa exigindo que as vendas da graphic novel fossem interrompidas. A obra estaria se aproveitando do sucesso de Clair Obscur: Expedition 33, RPG do estúdio que fez barulho no final de 2025.

Um problema de nomenclatura
A questão esbarra num detalhe curioso: o termo “clair-obscur” não é invenção de nenhum dos dois. A expressão vem do italiano “chiaroscuro” e nomeia uma técnica artística de contraste entre luz e sombra usada na pintura renascentista, algo que existe há mais de 500 anos.
Gay criou a HQ em 2019 e assinou contrato com a editora Drakoo em 2024, antes mesmo do jogo da Sandfall ser anunciado. Apesar da coincidência de nomes, as histórias não poderiam ser mais diferentes: enquanto a HQ acompanha um camponês em uma escola de magia, o jogo mergulha numa expedição sombria em um mundo fantástico.
Nas redes sociais, o autor explicou que decidiu ceder não por falta de razão, mas por não ter grana nem paciência para enfrentar um estúdio numa briga judicial. A solução encontrada foi mudar o título da HQ. Ele ainda fez questão de elogiar publicamente o trabalho da Sandfall, deixando claro que não havia mágoa pessoal.
A comunidade reagiu
No X (ex-Twitter) e no Reddit, a história rapidamente ganhou tração. Parte dos usuários defendeu o estúdio, argumentando que a tipografia dos títulos poderia gerar confusão. Mas a maioria apontou o óbvio: uma rápida olhada nas sinopses mostra que as duas obras não têm absolutamente nada em comum.
A resposta da Sandfall
Diante da repercussão, a Sandfall soltou uma nota oficial no X:
“Obrigado por nos avisar. Estamos em contato com o editor e o Olivier para encontrar uma solução justa para todos. Desculpas pela demora na resposta.”
Um estúdio pequeno com resultados gigantes
Clair Obscur: Expedition 33 foi uma das surpresas dos últimos anos. Feito por uma equipe de apenas 30 pessoas com um orçamento inferior a US$10 milhões, o jogo vendeu mais de 1 milhão de cópias rapidamente, faturou prêmios no The Game Awards 2025 e virou símbolo de que é possível fazer sucesso sem os orçamentos estratosféricos dos AAA.
A ironia, claro, não passou despercebida: um estúdio que representa a resistência aos desmandos da indústria quase atropelou um criador independente por causa de um termo de domínio público.
O desfecho
Olivier Gay segue fã do game, e a Sandfall agora busca um acordo amigável. Tudo indica que a história termina sem maiores traumas.
Para mais cobertura sobre games, polêmicas da indústria e cultura pop, acesse a página principal da Black Company.
Leia Também:
- The Hunt: o mistério francês que virou suspense até fora da tela
- Apple TV anuncia novo thriller político francês “La Décision”, estrelado por Raphaël Personnaz e Diane Kruger
- Apple TV+ lança trailer do thriller francês “The Hunt (Traqués)”, estrelado por Benoît Magimel e Mélanie Laurent
- Programa de Jimmy Kimmel retorna após polêmica suspensão