Você provavelmente já ouviu falar dele. Há alguns anos, o estilo Dark Academia tem aparecido com cada vez mais frequência em posts do Instagram, indicações no Twitter e vídeos no TikTok. Mas você sabe, de fato, o que caracteriza um livro como Dark Academia?
Como estética, o Dark Academia se aproxima muito da arquitetura gótica e romana, da música clássica instrumental e da linguagem antiga. Não necessariamente os livros precisam se passar em uma universidade ou algo assim, mas diversos livros do gênero se passam em ambientes institucionais e envolve personagens estudiosos.

Quando o enredo se desenvolve em um ambiente acadêmico, o tom sombrio geralmente está ligado às problemáticas desse universo. Embora os personagens valorizem a inteligência e o saber acima de tudo, o Dark Academia frequentemente aponta que essa busca incessante pelo conhecimento também pode ser parte do problema. As obras do gênero costumam mostrar as consequências dessa obsessão, funcionando, muitas vezes, como uma crítica direta ou indireta ao próprio meio acadêmico.
Livros como Babel, da autora R.F. Kuang e Se Nós Fossemos Vilões de M.L. Rio, representam muito bem a dinâmica Dark Academia. Ambos livros se passam no ambiente acadêmico, mas representados de formas completamente diferente. Enquanto Babel nos mostra uma Oxford que utiliza um sistema inovador de magia que envolve o estudo de idiomas e aborda questões como o racismo e a resistência ao colonialismo, o livro Se Nós Fossemos Vilões aborda temas como amizade, amor, inveja e confiança, em meio à uma cena de crime explorando a linha tênue entre atuação e a realidade utilizando obras de Shakespeare.

Em todos os casos, dentro ou fora das universidades, o Dark Academia desenvolve quase como regra uma obsessão central. Seja pelo conhecimento, pela descoberta de um segredo ou pela busca de algo proibido. Segredos e mentiras são elementos recorrentes nesse gênero literário, que também costuma questionar a moralidade tanto dos personagens quanto do leitor, ao mesmo tempo em que, não raramente, romantiza a melancolia e o isolamento
No fim das contas, o Dark Academia vai além da estética e dos cenários acadêmicos. O gênero convida o leitor a pensar sobre os limites do conhecimento e sobre como a busca excessiva por saber pode trazer consequências negativas. Com mistério, conflitos morais e personagens complexos, essas histórias chamam a atenção por mostrar que, por trás de livros, salas de aula e bibliotecas, também existem segredos, escolhas difíceis e lados sombrios.