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Escritoras Quilombolas Buscam Espaço na Literatura

A literatura tem sido historicamente um espaço elitizado e predominantemente branco. No entanto, escritoras quilombolas estão lutando para ocupar esse cenário, trazendo narrativas baseadas na tradição oral de suas comunidades. Além disso, mesmo diante de desafios estruturais, elas seguem resistindo e produzindo obras que resgatam suas histórias e identidade cultural.

A Oralidade como Base da Literatura dos Quilombolas

Um exemplo dessa produção é o livro Aspino e o Boi (Ed. Sophia, 2024), no qual Gessiane Nazario narra uma história infantil baseada nas narrativas orais da comunidade quilombola da Rasa, em Armação dos Búzios, Rio de Janeiro. A obra mostra a resistência de um lavrador contra a opressão de um fazendeiro que tenta destruir suas terras. A autora se inspirou em seu bisavô para criar o protagonista, representando a luta histórica dos quilombolas.

Gessiane, que também atua como professora e pesquisadora, defende o conceito de “aquilombamento da literatura infantil”. Para ela, quando autoras quilombolas ganham espaço na cena literária, promovem um ato político que amplia a visibilidade de histórias marginalizadas. Apesar da relevância desse movimento, os desafios ainda são grandes, já que autores quilombolas enfrentam muitas barreiras para publicar seus livros.

Dificuldades no Mercado Editorial

A falta de incentivos e os altos custos de publicação dificultam a disseminação da literatura quilombola. Gessiane conseguiu publicar seu livro com o apoio da Editora Sophia, um selo independente com compromisso social. Outras editoras menores, como a Jandaíra, também têm apoiado esses escritores, mas ainda são poucos os espaços no mercado.

Essa realidade é refletida na ausência de dados sobre publicações de escritores quilombolas. O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) não possuem levantamentos sobre essas publicações, o que evidencia a invisibilidade do tema.

Políticas Públicas e Resistência

Felizmente, algumas iniciativas estão surgindo para incentivar essa produção. Por exemplo, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) organizou o I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para Quilombolas e Ciganas. Além disso, leis como a Paulo Gustavo e a Aldir Blanc desempenham um papel essencial ao garantir financiamento para escritores em situação de vulnerabilidade.

A escritora e antropóloga Crislaine Venceslau de Andrade, natural de Pernambuco, é um exemplo de quem conseguiu apoio por meio dessas iniciativas. Com isso, ela publicou livros que abordam sua trajetória e as tradições de sua comunidade. Crislaine destaca que, sem esses editais, teria muita dificuldade para divulgar suas obras.

O Caminho para a Inclusão Literária

Mesmo com os avanços, porém, há um longo caminho a percorrer para garantir equidade no mundo editorial. Por isso, escritoras como Gessiane e Crislaine seguem resistindo, mostrando que a literatura quilombola tem muito a contribuir para a cultura brasileira. Dessa forma, para que essas vozes sejam ouvidas, é essencial o apoio do público e de políticas que incentivem a diversidade na literatura.

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