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Hansel and Gretel de Stephen King e Maurice Sendak: uma releitura do conto de fadas

Stephen King e Maurice Sendak se unem, em tempos diferentes, para recriar um dos contos mais conhecidos dos Irmãos Grimm. O resultado é Hansel and Gretel (“João e Maria”, em português), uma obra publicada por Harper Collins, ilustrada, que mistura o tom de um livro infantil com a escuridão de um verdadeiro pesadelo.

King assina o texto. Sendak, que morreu em 2012, deixa como legado ilustrações criadas em 1997 para uma montagem da ópera Hansel and Gretel. O encontro desses dois mestres transforma o conto em um horror delicado e feito para todas as idades.

Um conto infantil… ou um pesadelo para qualquer idade?

O livro começa como um conto de fadas clássico: “Era uma vez…”. Mas logo fica claro que a história não é feita para embalar o sono. A cada página, a narrativa mergulha em temas de abandono, fome, medo e sobrevivência.

As aquarelas de Sendak são ao mesmo tempo delicadas e perturbadoras. Raízes de árvores que se transformam em caveiras. Anjos brancos que rondam a lua nos sonhos de Gretel. E, no oposto, a bruxa voando pelo céu com um saco cheio de crianças. O famoso chalé de doces também ganha nova vida: não é acolhedor, mas grotesco, com janelas que viram olhos e uma língua viscosa que se projeta como tapete de boas-vindas.

A visão de Stephen King

Para King, os contos de fadas nunca foram apenas histórias para crianças.

“Eles dão um gosto das emoções adultas para os pequenos. É duro, mas no fim, há esperança de um final feliz”, disse em entrevista.

Sua versão mantém o núcleo da trama, Hansel e Gretel abandonados pelos pais, a bruxa canibal e a fuga desesperada, mas inclui novas sequências oníricas e retira elementos considerados artificiais, como o pato mágico que ajudava os irmãos a atravessar o rio.

“Não fazia sentido. Prefiro que as crianças sejam as donas do próprio destino”, explicou o autor.

As sombras dos Irmãos Grimm

A história original dos Grimm, publicada em 1812, não era nada infantil. Na primeira versão, não existia madrasta malvada: eram os próprios pais biológicos que abandonavam os filhos na floresta, reflexo de tempos de fome na Europa do século XIV.

Com o passar dos anos, as edições suavizaram os horrores, substituindo a mãe por uma madrasta e trazendo um tom religioso de proteção divina. Sendak, no entanto, resgata a escuridão. Suas imagens ecoam sua própria infância doente e a proximidade da morte , sempre presente em sua obra-prima Onde Vivem os Monstros.

Nesta nova edição, texto e imagem dialogam para lembrar que os contos de fadas não nasceram para ser doces. Eles falam de medo, fome, abandono e da coragem precoce exigida de crianças em um mundo cruel.

É, em essência, uma história de sobrevivência. E, como toda boa fábula, nos obriga a olhar para nossas próprias sombras.

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