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Luminária: Valorize a sua Antibiblioteca

Todo leitor já parou em algum momento para admirar a sua própria coleção de livros, seja ela uma soma de centenas ou milhares de exemplares, seja ela uma humilde prateleira com algumas unidades. Essa coleção pode ser elogiada quanto à sua quantidade ou criticada quanto ao seu acúmulo de papel. Há leitores também que, mais tecnológicos, arquivam seus livros em bytes na sua biblioteca virtual. Seja um ou outro, todo leitor já ouviu a seguinte pergunta: você já leu todos os seus livros?

Acredito que 99,9% das respostas sejam “não”, afinal, não importa a quantidade de livros que tenha, sempre irá adquirir mais! Com isso, a coleção pessoal, seja física ou digital, transforma-se em uma miscelânea de lidos e não lidos, sendo este último configurado como uma antibiblioteca. Assim, deixe de lado sua wishlist, acenda a Luminária e vamos conversar sobre a importância de ter livros não lidos.

Um mundo inexplorado

Às vezes sento e admiro minha estante que, atualmente, só possui uma centena de livros e mais alguns poucos mangás. Observo minhas aquisições, contemplando os lidos e os não lidos, alguns plastificados e outros com manchas amareladas nas páginas, muitos comprados e outros presenteados. Estrategicamente, reservei uma das prateleiras do móvel apenas para os romances que comprei e que ainda não conheci a história, em uma altura de fácil acesso para a mão não hesitar em escolher algum.

Mas também sei que a lista dos não lidos é tão infinita quanto o universo, afinal, estou tratando de um inquantificável número de histórias que o mundo pode proporcionar a todo instante. O desejo e a curiosidade aguçam o poder aquisitivo e logo exemplares inéditos chegam na coleção pessoal.

Uma dica, uma resenha, uma bela capa ou uma nova obra do seu autor favorito já altera a lista de desejos, sempre para mais. Uma ida na livraria, uma vasculhada no sebo, uma visita à feira literária, uma promoção nos e-commerces também incentivam o retorno para casa com algumas sacolas nas mãos ou pacotes de entrega no portão.

Diante de tantas possibilidades, o instinto aventureiro do leitor em desbravar universos dentro de cada história, torna-o um acumulador de mundos inexplorados. Olhar para as possibilidades na estante pode provocar um frenesi de empolgação diante de uma boa leitura a ser realizada ou um desespero por não dar conta de tudo. Afinal, será possível ler todos os livros que almeja?

Livraria

A antibiblioteca

Jô Soares, no programa Roda Viva em 1995, afirmou que “Existem dois prazeres: o de comprar livros… e o de ler”. Todo leitor que finaliza um carrinho no site ou que compra em loja física, sente um grande prazer só na possibilidade de ler aquele livro em algum dia. O prazer da possibilidade. Diferentemente do outro prazer que é pegar a obra e, definitivamente, lê-la.

A questão de ter livros não lidos na estante como um acervo a ser explorado é chamado de “antibiblioteca”, um conceito que o escritor e filósofo Umberto Eco definiu, devido sua biblioteca pessoal somar cerca de 30 mil obras espalhadas por toda a casa, após a sua morte, o seu acervo foi doado para duas universidades italianas. Muitos o indagavam se ele já havia lido todos e se haveria justificativa para tal acúmulo.

O escritor Umberto Eco pertence àquela classe restrita de acadêmicos que são enciclopédicos, perceptivos e nada entediantes. Ele é dono de uma vasta biblioteca pessoal (que contém cerca de 30 mil livros) e divide os visitantes em duas categorias: os que reagem com: ‘Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?’, e os outros — uma minoria muito pequena — que entendem que uma biblioteca particular não é um apêndice para elevar o próprio ego, e sim uma ferramenta de pesquisa. Livros lidos são muito menos valiosos que os não-lidos” — argumenta Nassim Taleb, em seu livro “A Lógica do Cisne Negro” (Jornal Nexo).

Umberto Eco em sua biblioteca.

A antibiblioteca diz muito sobre o leitor, talvez até mais do que os livros já lidos. O acervo de possibilidades, de conhecimentos ainda não explorados, de assuntos diversos e multiculturais expõe a mente aberta, pesquisadora e humilde daquele que detém a coleção. Reflete desejos e vontades, além de promover a acessibilidade de entretenimento e de conteúdo para consultas.

Ter uma coleção de obras literárias em casa não é um acúmulo desproposital de papel e poeira, é também dar valor a cada hora de dedicação que um autor se debruçou naquela narrativa. Quantas vezes, ao olhar para a estante, o leitor não revive o passado de quando obteve tal exemplar específico, trazendo recordações, lembrando de pessoas e rememorando sentimentos.

Com isso, o prazer na leitura é iniciado antes mesmo de abrir um livro. A expectativa de ter aquela obra acessível a qualquer momento do seu querer, provoca satisfação. Cada conquista, seja por compra ou por presente, goza de uma pequena história já iniciada na soleira da casa, no clique da tela. Ter uma antibiblioteca em casa é viver na expectativa, com a leitura sendo o seu auge. Assim, não se crucifique por sua lista de não lidos nunca ter fim, na verdade, valorize-a.

Luminária é a coluna literária na qual conversaremos sobre livros a cada quinze dias. Para mais conteúdos literários, acesse o portal.

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