Um escândalo abalou o mundo dos mangás, repercutindo dentro e fora do Japão. Autores estão retirando suas obras da Manga One, plataforma de leitura digital da editora Shogakukan. O motivo se deve a recontratação de um mangaká acusado de crimes sexuais com uma jovem menor de idade.

O autor Shoichi Yamamoto (Kazuaki Kurita, de acordo com Fora do Plástico), mangaká de “Dakuten Sakusen”, foi indiciado por abusos sexuais com uma estudante do ensino médio durante três anos, enquanto lecionava o curso de arte de meio período em Hokkaido. Enquanto a defesa dele argumentou relação consensual, os advogados da vítima declararam que ela, além das violências sofridas, também enfrentava manipulação psicológica constante e, com isso, desenvolveu transtorno dissociativo e síndrome de estresse pós-traumático.
Quando a vítima alegou intenções de realizar uma denúncia quanto aos abusos sofrido, a Manga One se envolveu em negociações extrajudiciais para um acordo entre ele e a vítima do abuso sexual, exigindo segredo. O acordo não foi firmado e em 2022, a jovem denunciou formalmente seu ex-professor. A sentença final na justiça japonesa saiu em fevereiro de 2026, Yamamoto foi condenado a pagar 11 milhões de ienes (cerca de R$ 360 mil) por indenização. Em 2020, este autor já havia sido acusado e indiciado por pornografia infantil, tendo seu afastamento encoberto pela editora sob alegações de “problemas de saúde”.
A rebelião atual no mundo dos mangás se deve ao descobrir que tal mangaká foi recontratado com um novo nome falso pela editora, mesmo esta já sabendo de seu envolvimento em ambos os crimes, além de realizar manobras para esconder o escândalo. Em 2022, Shoichi Yamamoto assumiu o nome de Hajime Ichiro e começou a trabalhar no novo projeto chamado “Jojin Kamen”.
De acordo com Polygon, a Manga One divulgou um comunicado oficial no dia 27 de fevereiro, o pedido de desculpas foi criticado por não justificar tal recontratação do artista. No dia seguinte, em novo comunicado, a editora informou que a obra “Jojin Kamen” teria publicação interrompida. Autores que possuem trabalhos divulgados pela Shogakukan também criticaram a postura da empresa e removeram suas obras dela, como: Rumiko Takahashi de “Ranma ½” e “Inuyasha”, Kanehito Yamada “Frieren: Beyond Journey’s End” e Ryuhei Tamura “Cosmos”. Outros artistas da editora ainda não se pronunciaram.

De acordo com o 2º comunicado da Manga One, admite-se que foi “incidente grave pelo qual a empresa tem responsabilidade administrativa, refletindo uma falta de consciência em relação aos direitos humanos e ao cumprimento das normas“. Com a pressão dos artistas da casa, a Shogakukan alega implantar uma investigação para esclarecer os fatos “incluindo as circunstâncias que envolveram o início da serialização e o envolvimento do editor, incluindo quaisquer negociações de acordo. Em seguida, publicaremos um relatório sobre as conclusões da investigação, aplicaremos medidas disciplinares rigorosas e formularemos e implementaremos medidas para evitar que o incidente se repita“.
Após a repercussão do caso de Shoichi Yamamoto, a editora admitiu outro caso de recontratação de envolvidos. O mangaká Tatsuya Matsuki, da obra Act Age (Weekly Shonen Jump da Shueisha) também foi indiciado em 2020 por atos indecentes com uma estudante do ensino fundamental. O autor foi recontratado em 2024 com o nome falso de Yatsunami Miki e trabalhou na obra “The Counselor through the Years and Stars”.
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