Poucos artistas da música pop contemporânea passaram por uma transformação tão observada, e tão bem-sucedida, quanto Harry Styles. Às vésperas do lançamento de seu novo álbum, Kiss All the Time. Disco, Occasionally, o cantor chega a um ponto raro da carreira: o de alguém que não precisa mais provar nada, apenas continuar explorando.
Antes de se tornar um dos maiores nomes da música global, Styles percorreu um caminho marcado por reinvenção, riscos calculados e uma relação cada vez mais autoral com sua imagem e sua arte.
O início de Harry Styles: The X Factor e One Direction
A trajetória de Harry Styles começa em 2010, quando ele participa do programa The X Factor. Eliminado como artista solo, ele acaba reunido a outros quatro jovens (Niall Horan, Zayn Malik, Liam Payne e Louis Tomlinson) para formar a banda One Direction.
O grupo não vence o reality, mas se torna um fenômeno global quase instantâneo. Entre 2011 e 2015, o One Direction lança cinco álbuns de estúdio, emplaca sucessivos hits e redefine o conceito de boy band para uma nova geração, acumulando recordes de vendas, turnês esgotadas e uma base de fãs massiva.
Mesmo nesse contexto altamente controlado, Styles já se destacava por seu carisma, presença de palco e uma curiosidade estética que apontava para algo além do formato pop tradicional.
A pausa da banda e o salto solo
Em 2016, após a saída de Zayn Malik e anos de atividade ininterrupta, o One Direction entra em hiato. O período marca uma virada decisiva para Harry Styles, que passa a construir sua identidade solo com cautela e clareza de propósito.
Seu álbum de estreia, Harry Styles, lançado em 2017, surpreende ao se afastar do pop radiofônico direto e abraçar influências do rock clássico, folk e soft rock dos anos 1970. O single Sign of the Times apresenta um artista interessado em emoção crua, arranjos expansivos e uma escrita mais introspectiva.
Fine Line e a consolidação artística
Em 2019, Styles lança Fine Line, um disco mais expansivo, colorido e emocionalmente vulnerável. Misturando pop psicodélico, baladas confessionais e momentos solares, o álbum amplia o alcance do cantor e consolida sua identidade artística.
A era Fine Line também marca uma virada estética importante: Harry Styles passa a ser reconhecido como um ícone de moda, questionando normas de gênero e adotando uma imagem fluida, elegante e deliberadamente provocativa, algo que se tornaria parte inseparável de sua persona pública.
Harry’s House e o auge do pop autoral
O ponto mais alto de sua carreira até agora chega com Harry’s House, lançado em 2022. Mais contido, minimalista e maduro, o disco reflete um artista confortável com o silêncio, o groove e a intimidade.
O single As It Was se torna um fenômeno global, liderando paradas por semanas e definindo o som daquele ano. Em 2023, Harry’s House vence o Grammy Awards de Álbum do Ano, consagrando Styles como um dos nomes centrais da música pop contemporânea.
A turnê Love On Tour reforça esse status, com shows esgotados ao redor do mundo e uma relação cada vez mais direta com o público.
Entre cinema, moda e silêncio estratégico
Paralelamente à música, Harry Styles também investe no cinema, atuando em produções como Dunkirk, Don’t Worry Darling e My Policeman. Embora suas atuações dividam opiniões, elas reforçam sua disposição em experimentar e ocupar novos espaços criativos.
Após o fim da era Harry’s House, Styles adota um período de silêncio público, movimento que antecede, historicamente, suas reinvenções artísticas. O anúncio de Kiss All the Time. Disco, Occasionally surge exatamente nesse vácuo, sinalizando mais uma mudança de fase.
O que esperar de Harry Styles em Kiss All the Time. Disco, Occasionally
Previsto para chegar em 6 de março, Kiss All the Time. Disco, Occasionally será o quarto álbum solo de Harry Styles. Produzido por Kid Harpoon, colaborador recorrente do artista desde o início da carreira solo, o disco promete dialogar com novas texturas sonoras sem abandonar o foco em emoção e identidade.
O título sugere um projeto mais fragmentado, talvez mais lúdico, refletindo um artista que já não se prende a expectativas externas, apenas ao desejo de seguir explorando.