Por trás do cenário brutal de sobrevivência, a equipe da Facepunch Studios monitora cada detalhe das partidas: disparos, mensagens trocadas, movimentação de itens e interações entre jogadores. Tudo é registrado em sistemas de log que permitem acompanhar o comportamento dos usuários de forma minuciosa e contínua.
O problema não é pequeno. Cheaters utilizam ferramentas como ESP, que permite enxergar inimigos através de paredes, e aimbots, que garantem precisão perfeita nos tiros. Esses recursos exploram dados que, tradicionalmente, eram enviados ao client do jogador, mesmo quando o inimigo estava fora do campo de visão.
Assim, informações que deveriam permanecer ocultas acabavam sendo usadas de forma ilegal. Apesar de muitos acreditarem que agem sem serem notados, a realidade é outra: esses dados deixam rastros claros para os desenvolvedores.
Para combater esse tipo de cheat, a Facepunch adotou uma solução considerada decisiva: a chamada “Fog of War”, ou névoa de guerra. Com ela, o client do jogador passa a receber apenas as informações que realmente deveriam estar visíveis naquele momento. Inimigos distantes ou escondidos simplesmente deixam de existir nos dados enviados. Sem acesso às informações, os cheats perdem sua principal vantagem, devolvendo equilíbrio às partidas.

Além disso, a Facepunch dificulta constantemente o trabalho de quem desenvolve novos cheats. Atualizações frequentes e automáticas quebram cheats rapidamente, especialmente os mais baratos e populares. Isso aumenta o custo e o tempo de manutenção dessas ferramentas, reduzindo sua disponibilidade no mercado e, consequentemente, o número de jogadores que recorrem a elas.
A caça aos cheaters também conta com sistemas consolidados de punição. O Rust utiliza tanto o Easy Anti-Cheat (EAC) quanto o Valve Anti-Cheat (VAC). Esses sistemas são capazes de detectar softwares de terceiros, macros ilegais e até comportamentos suspeitos ligados a periféricos. Quando um jogador é pego, o banimento costuma ser permanente. Tentativas de burlar o sistema ou criar novas contas podem resultar em punições ainda mais severas.
Outro ponto importante é a responsabilidade coletiva. Jogadores que atuam em equipe com trapaceiros também podem sofrer punições, já que o sistema identifica vínculos entre contas. Isso faz com que a escolha de aliados se torne uma decisão estratégica, não apenas dentro do jogo, mas também em termos de segurança da conta.
Nos servidores, administradores também entram em ação. Muitos utilizam plugins e ferramentas criativas para confundir ou expulsar cheaters, acelerando a identificação do problema. Paralelamente, a comunidade pode colaborar usando o sistema de denúncias integrado ao jogo, que alimenta as análises globais do EAC.
Embora parte da comunidade ainda reclame da presença de cheaters, a Facepunch segue investindo em novas tecnologias, como detecção avançada no servidor e testes com inteligência artificial. O objetivo é claro: tornar Rust um ambiente mais justo, sem prejudicar jogadores legítimos. A batalha continua, mas o recado é direto: jogar limpo é a única forma de sobreviver e dominar de verdade.