O diretor criativo da Pixar, Pete Docter, revelou porque a história queer originalmente escrita em 2023 para o filme Elio não chegou ao produto final, lançado em 2025. “Estamos fazendo um filme, não uma terapia de centenas de milhões de dólares”, comentou em uma entrevista ao The Wall Street Journal. Docter também afirmou que o estúdio, bem como a proprietária Disney, não gostaria de abordar assunto que as crianças ainda não tivessem discutido com seus pais.
Elio segue a história de um menino solitário que é confundido com o líder da Terra e transportado para o espaço. O diretor da primeira versão, Adrian Molina, baseou a história em sua própria infância. Não foi suficiente para agradar os espectadores da exibição teste de 2023, que disseram ter gostado do filme, mas não o suficiente para assistir no cinema. Foi assim que Molina saiu do projeto e a Pixar fez diversas mudanças no roteiro, incluindo remover partes da história que faziam alusão à sexualidade do personagem principal. Segundo uma fonte do The Wall Street Journal, as cenas incluíam Elio em uma bicicleta rosa e uma cena na qual ele imaginava seu futuro junto ao seu crush, um menino.
Mesmo com as alterações, a versão final estreou com números baixos para o tamanho e popularidade do estúdio: arrecadando apenas US$ 20,8 milhões no mercado interno e US$ 14 milhões no exterior. Com os custos de produção e marketing, a Disney perdeu mais de US$ 100 milhões com Elio.

Criativos da Pixar, bem como da Disney no geral, estão há anos lutando por mais representatividade LGBTQ+ em seus projetos. “Nós, da Pixar, testemunhamos pessoalmente belas histórias, repletas de personagens diversos, voltarem das revisões corporativas da Disney reduzidas a migalhas do que eram antes”, dizia uma carta assinada pela Liderança dos Funcionários LGBTQIA+ da Pixar e Seus Aliados em 2022. Este testemunho ocorreu em protesto contra as ações da empresa, que havia financiado parlamentares americanos que apoiaram um projeto de lei, apelidado como Don’t Say Gay (Não diga Gay). Se aprovada, a lei impediria que as temáticas de sexualidade ou gênero sejam abordadas nas escolas.
A carta também dizia: “Quase todos os momentos de afeto abertamente gay são cortados a pedido da Disney, independentemente de haver protestos tanto das equipes criativas quanto da liderança executiva da Pixar. Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo”. O CEO da Disney na época pediu desculpas, e prometeu encerrar as doações. Ao mesmo tempo, um beijo entre duas mulheres que havia sido cortado do filme Lightyear foi restaurado como “oferta de paz”.
Agora, a empresa possui uma nova declaração sobre temas queer: “Quando se trata de conteúdo animado para um público mais jovem, reconhecemos que muitos pais preferem discutir certos assuntos com seus filhos em seus próprios termos e tempo” disse um porta-voz da Disney.