Eu tinha uma promessa feita recentemente e ela era a de finalmente grudar em uma trilogia e ir até o fim. E não é que deu certo? Cá estamos nós, firmes e fortes em Arauver. Em pleno climinha de Carnaval, enquanto parte do país se prepara para glitter e marchinhas, a decisão aqui foi outra: aproveitar os dias de folga para atravessar mapas, encarar batalhas e, claro, dormir o máximo possível. A reta final da trilogia já está no radar, mas antes disso é hora de falar de Crônicas de Arauver Volume 2: Sob o Sol das Terras Bárbaras, de Henrique Scopel, publicado pela Editora Flyve. E você sabia que eu fiz uma entrevista com o Henrique? Você pode conferir a entrevista AQUI.
Se o primeiro livro apresentou o tabuleiro, este segundo volume move as peças com muito mais agressividade.
Um reino que já não é o mesmo
Arauver não é mais o reino mágico e relativamente estável que conhecemos no início da saga. O retorno do Esquecido abalou estruturas profundas, políticas e emocionais. O Príncipe Roub segue sua jornada rumo ao Reino de Leora após o chamado urgente de um arauto nas fronteiras das Terras Bárbaras. Ao mesmo tempo, o Rei Touh se prepara para enfrentar tropas invasoras em uma floresta que já carrega seu próprio peso simbólico.
A guerra deixa de ser uma ameaça distante e passa a ser uma presença constante. O sol nasce encoberto por sombras, e a sensação de urgência é real. Há perdas, há dor e há um clima de instabilidade que se espalha por todos os núcleos da narrativa. Diferente do primeiro volume, que tinha uma estrutura mais centrada na descoberta e na construção de mundo, aqui o foco se desloca para o conflito aberto e suas consequências.
Expansão de mundo e mudança de foco
Sob o Sol das Terras Bárbaras assume um ritmo mais acelerado. A narrativa se torna mais frenética, especialmente para quem terminou o primeiro livro e engatou diretamente no segundo. A sensação é de continuidade imediata, como se a história não tivesse sequer respirado entre um volume e outro.
Há uma mudança evidente no foco narrativo. Roub continua sendo peça fundamental, mas deixa de ocupar sozinho o centro da trama. Outros personagens ganham palco, novos aliados surgem e antagonistas se tornam mais complexos. A proposta parece clara: expandir o universo e aprofundar o conflito em múltiplas frentes.
Essa escolha fortalece a construção da trama, mas também provoca uma pequena sensação de distanciamento para quem estava completamente imerso no ponto de vista do jovem príncipe no primeiro livro. O que, no meu caso, faz uma diferença enorme: senti um pouquinho de falta de me perder no ponto de vista do protagonista, mas entendo a necessidade de expandir como o leitor enxerga as coisas. Roub amadurece de maneira impressionante, enfrentando situações muito além da sua idade, mas o enredo opta por não tratá-lo apenas como o herói isolado. Ele é parte de algo maior!
O segundo volume assume de vez uma tonalidade onde elementos clássicos do gênero são distorcidos e reposicionados. A magia ganha novos contornos, os povos e culturas do universo se expandem e o mundo de Arauver se mostra vivo, pulsante e, ao mesmo tempo, ameaçado.
As batalhas são mais frequentes e mais duras e não há glamourização da guerra. Há perdas reais, para ambos os lados, e a sensação de que o conflito está longe de se encerrar. Pelo contrário, tudo indica que o terceiro volume será o ponto de ebulição máximo dessa escalada.
A linguagem segue acessível, com narrativa fluida e ritmo bem controlado. Mesmo com a ampliação do elenco e do escopo da história, o texto mantém clareza e não se perde em descrições excessivas. O mapa continua sendo um aliado importante para a imersão, ajudando a visualizar deslocamentos e fronteiras.
Um dos pontos mais interessantes é acompanhar a evolução emocional dos personagens diante da guerra. O grupo de Roub atravessa territórios hostis, enfrenta inimigos mais fortes e conhece novos aliados. O peso da responsabilidade recai sobre ombros ainda jovens, e essa tensão sustenta boa parte da força do livro.
Ao mesmo tempo, é perceptível que a trama está se preparando para algo maior. As ameaças continuam se organizando, e o desfecho final é claramente reservado para o terceiro livro.
A vontade de seguir imediatamente para o volume final não é apenas curiosidade, é necessidade narrativa. Arauver está em guerra, e a história ainda não terminou.