Emergência Radioativa é mais uma produção brasileira que chega na Netflix e dessa vez abordando em formato de minissérie o acidente real com o Césio-137, ocorrido na cidade de Goiânia em 1987.
Dois catadores buscando sucata (chumbo) para vender acabam entrando em uma unidade abandonada de radioterapia e levam um objeto para um ferro-velho em troca de dinheiro. Evenildo, o dono deste ferro-velho, desmonta o objeto e descobre um pó misterioso com um brilho azul. Achando isso estranho, e até encantado com isso, ele decide levar o material para casa expondo os familiares ao Césio-137, material radioativo, e desencadeando uma série de problemas.
A esposa de Evenildo foi a primeira pessoa a perceber que quem entrava em contato com aquilo acabava sentindo enjoo, vômito, queimaduras pelo corpo e levou o objeto para vigilância sanitária. Lá, após ser chamado por seu amigo que era médico Márcio detectou que o objeto era altamente radiativo e começou a luta contra o tempo para descobrir os focos e salvar as pessoas…

Estado de alerta x descrentes
A escolha de abordar o incidente como seriado e não como documentário deixando visível a perspectiva de vários a mostra e não sendo contada apenas do ponto de vista de um narrador é um dos pontos positivos para citarmos. Podemos ver, por exemplo, como Márcio que foi um dos piores a entender o real perigo do material reagiu tomando as providências ao avisar a autoridades; podemos ver como as autoridades políticas se mostram despreparadas se preocupando sobretudo em manter uma imagem que “estava tudo sob controle”, e também podemos ver como algumas das vítimas se mostraram relutantes em aceitar ajuda, o isolamento, os remédios e tudo que nunca ouviram falar antes por simples medo ou desconhecimento mesmo.
A escolha do elenco também se mostrou acertada já que Johnny Massaro no papel de Márcio é um jovem físico nuclear, mas fica na linha de frente correndo até risco de se contaminar, algo que sua esposa é totalmente contra já que acabara de descobrir que vai ser pai; Tuca Andrada como Governador Roberto Correia que inicialmente se mostra prestativo no combate á contaminação, mas que com o passar do tempo dificulta as operações uma vez que acaba tomando repercussão nacional.
Outro ponto a ser citado em Emergência Radioativa foi a caracterização pois como o incidente ocorreu em 1987 a produção retratou com detalhes vestuário, carro, ônibus e até pequenos detalhes como acessórios, ou seja, quem assiste realmente tem a sensação de estar vendo “algo de época”.
Mas nem tudo são flores e por incrível que a caracterização foi um ponto chave a ambientação acabou gerando criticas pois as filmagens ocorreram em São Paulo e as vitimas sobreviventes não foram entrevistas para trazer ainda mais realismo.
No fim, Emergência Radioativa é um seriado angustiante pois percebemos que é impossível apontarmos um único culpado pelo que ocorreu: foram os antigos donos da clínica de radioterapia que deixaram um objeto tão perigoso para trás? Foi o CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) que não se atentou a este fato? Foram os dois catadores que em busca de dinheiro acabaram pegando uma peça revestida de chumbo querendo algum dinheiro?
De legado ficou a criação de protocolos rigorosos de gestão dos rejeitos radioativos no Brasil, além de um monitoramento contínuo de saúde para as vítimas, que dura até hoje.