Se você sente falta do humor desconfortável de The Office, pode respirar aliviado. Steve Carell está de volta ao território que domina como poucos. E com aquele mesmo timing constrangedor.
A nova aposta da HBO, Rooster, chega com a missão nada modesta de ocupar o espaço deixado por “Falando a Real”.

Um “E aí?” que diz tudo
Greg Russo (Steve Carell) prova que certas habilidades nunca evoluem, especialmente na comunicação.
Ele tenta reatar com a ex-esposa, Beth, mas trava. Então, como qualquer adulto emocionalmente estável faria, manda um “E aí?” digno de um adolescente em 2007.
A cena ganha força quando sua filha Katie, vivida por Charly Clive, decide assumir o controle. Ela liga para a mãe, interpretada por Connie Britton e força o contato, um diálogo estranho, quase doloroso e extremamente engraçado. Um eco claro do legado de Michael Scott, só que com mais bagagem emocional.

Humor com cicatriz emocional
Rooster não vive só de piada. A série aposta em algo mais denso: relações quebradas tentando se reconstruir.
Greg encara o divórcio, a distância da filha e o peso das escolhas erradas. Ao mesmo tempo, tenta se reinventar no ambiente acadêmico onde Katie trabalha.
Essa mistura funciona. O roteiro equilibra humor e drama sem soar forçado. E ainda evita aquele sentimentalismo preguiçoso que muita série adora usar.

Bill Lawrence repete a fórmula
Por trás da série está Bill Lawrence, o mesmo criador de Scrubs e Ted Lasso. E ele entrega mais uma vez!
O elenco ainda reforça o pacote. Phil Dunster troca o futebol por salas de aula, enquanto John C. McGinley assume um papel de autoridade com seu estilo clássico.
Além disso, Danielle Deadwyler e Lauren Tsai completam o time.
Sucesso que fala por si
Os números não mentem. Rooster estreou com 2,4 milhões de espectadores em apenas três dias.
Para uma comédia, isso é raro. Crítica e público seguem na mesma sintonia. A série conquista justamente por não tentar reinventar tudo, mas sim por executar muito bem o que se propõe.
Rooster entrega risadas, mas também cutuca feridas. E faz isso com inteligência, ritmo e um protagonista que sabe exatamente como ser irritante e carismático ao mesmo tempo.
Steve Carell voltou para provar que ainda sabe construir bons personagens.