Cancelar Tokyo Vice foi um daqueles erros imperdoáveis. A série tinha estilo, substância e ambição. Ainda assim, caiu antes de atingir seu auge.
Michael Mann talvez não domine mais as bilheteiras. Porém, segue como um arquiteto da TV moderna. Miami Vice prova isso há décadas.
Mesmo focado no cinema, Mann nunca abandonou a televisão de verdade. Em Tokyo Vice, ele entrega atmosfera, ritmo e identidade visual.
Além disso, a série abraça o neo-noir. Chuva, neon e corrupção caminham juntos. Consequentemente, o resultado impressiona logo nos primeiros episódios.

Um estrangeiro perdido no japão
Sim, o protagonista é um jornalista americano. Sim, isso já cansou em outras séries. Contudo, aqui funciona.
Jake Adelstein não chega como herói. Pelo contrário, ele apanha da realidade japonesa. Culturalmente e profissionalmente.
Assim, a narrativa ganha força ao expor o choque entre o jornalismo dos EUA e o rigor extremo do Japão. Enquanto isso, a série critica o ego ocidental e não perdoa.

Personagens que roubam a cena
Embora Ansel Elgort entregue sua melhor atuação, o brilho maior vem de Ken Watanabe.
Seu detetive Katagiri carrega silêncio, ética dúbia e humanidade contida. Cada olhar diz muito que qualquer monólogo.
Além disso, Show Kasamatsu transforma Sato em favorito instantâneo. A ascensão do personagem nos prende do inicio ao fim.

A segunda temporada elevou tudo
Se a estreia apresentou o universo, a segunda temporada fez tudo ficar muito mais sério.
O arco do clã Tozawa aprofunda política, dinheiro e podridão institucional. Nada ali parece simples ou confortável.
Enquanto isso, a série expõe o machismo brutal da yakuza sem romantizar violência. O contraste incomoda. E deve incomodar, sempre.
Consequentemente, Tokyo Vice encontrou maturidade narrativa rara no streaming atual.

Cancelamento injustificável, legado intacto
Mesmo com orçamento, qualidade e cara de HBO raiz, a série foi descartada. A estratégia confusa do HBO Max não ajudou.
Ainda assim, o final entrega fechamento digno. Porém, deixa claro que havia muito mais história pela frente.
Portanto, quem maratonar Tokyo Vice hoje encontra um noir moderno, tenso e provocador.
No fim das contas, a HBO perdeu um clássico em potencial. O público, ao menos, ainda pode descobrir essa joia esquecida.