O SAG-AFTRA, maior sindicato de atores de Hollywood, disparou contra a atriz de inteligência artificial Tilly Norwood. Para eles, “não existe arte sem ser humano”. A entidade acusa os criadores da personagem digital de roubar performances reais para treinar algoritmos, sem autorização ou pagamento.
Segundo o sindicato, Norwood não tem emoção, não tem experiência de vida e, convenhamos, ninguém está correndo para assistir a um “Oscar de Algoritmos”.

A polêmica
Tudo começou quando Eline Van der Velden, fundadora da Particle 6 Productions, apresentou Tilly no Festival de Cinema de Zurique. Com direito a estúdio próprio de talentos de IA, o Xicoia, a empresária anunciou que buscava representação para sua “atriz digital”.
O anúncio caiu como uma bomba. Estrelas como Melissa Barrera, Nicholas Alexander Chavez e até Toni Colette declararam indignação. E não faltou ironia: Whoopi Goldberg e Emily Blunt também entraram na conversa para deixar claro que Hollywood não vai aplaudir uma “atriz de laboratório”.
A defesa da criadora
Eline Van der Velden, a criadora, não recuou. Pelo contrário, disse em suas redes que a IA não é substituta dos atores, mas uma “nova ferramenta, um novo pincel”. Para ela, Tilly seria como a animação ou o CGI uma forma de expandir possibilidades criativas sem apagar a atuação humana.
A justificativa soa bonita no papel, mas para o sindicato não passa de cortina de fumaça. A SAG-AFTRA lembrou que qualquer uso de artistas sintéticos exige negociação contratual. Em outras palavras: se um estúdio quiser brincar de Dr. Frankenstein digital, terá de sentar à mesa com os humanos de verdade.

Medo real em Hollywood
O embate acende um alerta vermelho na indústria. Depois da greve histórica de 2023, em que a proteção contra IA virou cláusula obrigatória, o recado ficou claro.
Enquanto isso, Tilly Norwood segue tentando se tornar um rosto famoso no TikTok, Instagram e YouTube. Mas a questão permanece: será que alguém quer mesmo assistir a uma atriz feita a partir de linhas de código?
O caso Tilly Norwood não é só umum debate passageiro. Pode significar um tema interessante sobre o futuro da atuação, da arte e até da forma como consumimos entretenimento. Se a moda pega, o risco não é apenas desemprego em massa, mas também uma indústria sem alma, feita de performances copiadas e emoções pré-programadas.
E aí fica a pergunta: você pagaria ingresso para assistir a um filme estrelado por uma atriz que nunca viveu, nunca sentiu e nunca chorou de verdade?