O mercado de animes alcançou um novo recorde em 2025, movimentando aproximadamente US$ 28,2 bilhões (4,45 trilhões de ienes) em todo o mundo. O resultado representa um crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior, segundo dados preliminares divulgados pela Associação Japonesa de Animações (AJA).
Os números foram apresentados nesta sexta-feira (30 de outubro) por Masahiro Hasegawa, editor-chefe do relatório anual da entidade, durante o TIFFCOM, evento de negócios realizado em paralelo ao Festival Internacional de Cinema de Tóquio.
O levantamento considera os gastos dos consumidores com produtos e serviços relacionados aos animes, incluindo televisão, cinema, streaming, produtos licenciados, música e eventos.
A versão definitiva dos dados será publicada em dezembro, na edição de 2026 do Anime Industry Report.
Mercado internacional representa mais da metade do faturamento
O mercado internacional continuou sendo o principal responsável pelas receitas da indústria japonesa de animação.
Em 2025, os consumidores fora do Japão movimentaram aproximadamente US$ 16,1 bilhões (2,54 trilhões de ienes), um crescimento de 17,2% em comparação com 2024.
Com isso, a participação internacional passou de 56,5% para 57,1% do faturamento total.
Já o mercado doméstico japonês registrou um crescimento de 14,1%, alcançando US$ 12,1 bilhões (1,91 trilhão de ienes).
O desempenho chama a atenção porque, nos últimos anos, o crescimento da indústria vinha sendo impulsionado principalmente pela demanda internacional. Em 2024, por exemplo, o mercado japonês havia crescido apenas 4,6%, enquanto as receitas externas avançaram 26%.
Segundo Hasegawa, os resultados de 2025 demonstram uma expansão mais equilibrada entre o consumo doméstico e internacional.
As receitas provenientes do exterior ultrapassaram as do Japão pela primeira vez em 2023, e essa diferença vem aumentando desde então.

Estúdios de animação também registram faturamento recorde
Além dos gastos dos consumidores, a AJA acompanha separadamente as receitas obtidas diretamente pelos estúdios japoneses de animação.
Nesse segmento, o faturamento chegou a 505,5 bilhões de ienes (US$ 3,2 bilhões) em 2025, um crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior.
Embora também represente um recorde, o avanço ficou abaixo dos 9,1% registrados em 2024.
A participação internacional nas receitas dos estúdios aumentou de 25,5% para 27,9%.
Hasegawa explicou que essa diferença ocorre porque os estúdios nem sempre negociam diretamente com empresas estrangeiras. Parte das receitas internacionais passa por distribuidoras, licenciadoras e outras companhias envolvidas na comercialização das produções.
O executivo também destacou que cresce o número de estúdios interessados em manter os direitos de suas próprias obras para administrar sua exploração comercial.
Animes japoneses conquistam espaço entre as séries mais populares
A presença internacional dos animes também aparece em indicadores de popularidade.
Segundo os dados apresentados, produções japonesas ocupam 100 posições entre as 300 séries de televisão com mais votos de usuários no IMDb. Entre as 20 primeiras colocadas, nove são animes.
Attack on Titan lidera esse levantamento, com aproximadamente 726 mil votos, seguido por outras produções japonesas de destaque, como Death Note e One Piece.
Também aparecem entre as 20 primeiras posições Fullmetal Alchemist: Brotherhood, Demon Slayer, One-Punch Man, Naruto Shippuden, Jujutsu Kaisen e Hunter x Hunter.
A popularidade dessas produções acompanha a expansão dos animes nos serviços de streaming e nos cinemas internacionais.

Japão quer ampliar exportações de animes até 2033
O crescimento da indústria também faz parte de uma estratégia econômica do governo japonês.
O país estabeleceu a meta de alcançar 20 trilhões de ienes (US$ 126,9 bilhões) em exportações de conteúdo até 2033. Desse total, a expectativa é que os animes contribuam com 6 trilhões de ienes (US$ 38,1 bilhões).
Em 2024, as exportações japonesas de conteúdo movimentaram 6,1 trilhões de ienes, sendo aproximadamente um terço desse valor proveniente da indústria de animação.
Para alcançar os objetivos, os estúdios apontaram duas prioridades: ampliar a localização dos conteúdos para diferentes idiomas e culturas e fortalecer as medidas de combate à pirataria.
Outra oportunidade identificada pela AJA está na comercialização internacional de produtos licenciados.
Enquanto no Japão os animes já movimentam diversos setores, incluindo brinquedos, roupas, eventos e outros produtos, o consumo internacional ainda está concentrado principalmente na exibição das obras.
A associação acredita que a expansão desse mercado de produtos pode contribuir significativamente para o crescimento das receitas nos próximos anos.
Durante a apresentação, Kazuko Ishikawa, presidente da AJA e da Nippon Animation, também ressaltou a importância de melhorar as condições de trabalho dos profissionais da indústria.
Segundo a executiva, criar um ambiente que permita aos artistas e demais envolvidos nas produções trabalhar com segurança e tranquilidade será fundamental para sustentar o crescimento do setor.