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Kernel Hearts mistura garotas mágicas, roguelike e ação no Nintendo Switch 2

Essa análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Whitehorn Games através da Big in Latam para o Nintendo Switch 2.

Poucos jogos conseguem explicar sua própria proposta com tanta facilidade quanto Kernel Hearts. Garotas mágicas androides, uma Torre de Babel tomada por criaturas angelicais, um mundo pós-apocalíptico e a missão de matar Deus. A premissa parece uma mistura improvável de gêneros e referências, mas é justamente essa estranheza que dá personalidade ao jogo da Ephemera Games.

No Nintendo Switch 2, Kernel Hearts chega como um roguelike de ação estruturado em expedições pela torre. O jogador enfrenta inimigos, coleta recursos, encontra novas habilidades e tenta avançar o máximo possível antes de retornar à base. O progresso obtido permite melhorar as personagens e preparar a próxima tentativa.

A estrutura é familiar, mas o jogo tenta se diferenciar ao apostar em áreas relativamente abertas, em vez de transformar cada etapa em uma sequência de pequenas arenas. Essa escolha funciona especialmente bem durante os combates, já que movimentação e posicionamento fazem parte da experiência. Por outro lado, algumas áreas acabam parecendo vazias e determinados trechos de exploração e plataforma não possuem o mesmo nível de qualidade encontrado nas batalhas.

É justamente no combate que Kernel Hearts encontra seu ponto mais consistente. Ataques, feitiços e habilidades de movimentação podem ser combinados para criar diferentes abordagens, enquanto as habilidades temporárias encontradas durante cada expedição incentivam a experimentação. O sistema é acessível e os comandos são apresentados de maneira bastante clara, mas não chega a alcançar a profundidade dos principais representantes do gênero. Depois de algumas horas, a repetição também pode ficar evidente.

A progressão permanente sofre de um problema semelhante. O sistema de chips permite personalizar as personagens e criar diferentes configurações, mas algumas melhorias demoram a produzir uma sensação significativa de evolução. Como a repetição é parte fundamental da experiência, esse é um ponto importante: quanto mais demorado for o progresso, maior a necessidade de cada nova tentativa oferecer algo realmente interessante.

Visualmente, entretanto, Kernel Hearts consegue estabelecer uma identidade própria. A combinação de anime, ficção científica, fantasia e referências religiosas poderia facilmente resultar em algo desconexo, mas a direção de arte mantém uma personalidade consistente. As personagens são o grande destaque, enquanto a trilha sonora ajuda a diferenciar as regiões da torre.

A versão de Switch 2 também oferece suporte aos modos TV, mesa e portátil, HDR e partidas online para até quatro jogadores. A cooperação é particularmente interessante porque amplia as possibilidades do sistema de combate e dá ao jogo uma dimensão que vai além da experiência individual.

No fim, Kernel Hearts não é um roguelike especialmente profundo nem tecnicamente revolucionário. Sua maior força está na identidade. O jogo reúne ideias que dificilmente deveriam funcionar juntas e, na maior parte do tempo, consegue transformá-las em uma experiência divertida e curiosa.

Suas limitações ficam evidentes na repetição, na progressão e na variedade, mas não são suficientes para apagar aquilo que torna Kernel Hearts interessante: a sensação de estar jogando algo que realmente tem uma personalidade própria. O jogo está disponível para PC (via Steam e Epic Store), Xbox Series S|X, PlayStation 5, além claro do Nintendo Switch 2.

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