Essa análise foi feita com uma cópia do jogo cedida gentilmente pela Jagex através da MKTR Agency. Muito obrigado pela confiança!
RuneScape: Dragonwilds representa uma mudança considerável para uma franquia tradicionalmente associada aos MMORPGs. Em vez de tentar reproduzir a experiência clássica de RuneScape, a Jagex aposta em um survival cooperativo que combina exploração, construção, coleta de recursos, combate e progressão por habilidades.
No Nintendo Switch 2, essa proposta ganha um atrativo adicional: Dragonwilds é um jogo naturalmente adequado ao formato híbrido do console. O problema é que a adaptação ainda está longe de aproveitar todo o potencial do hardware.
Um survival com identidade própria
A principal qualidade de Dragonwilds está em não parecer apenas mais um survival. A aventura acontece em Ashenfall, uma nova região que permite à Jagex utilizar criaturas, personagens e conceitos familiares de RuneScape sem ficar presa à estrutura do MMORPG. O jogador coleta recursos, constrói sua base, fabrica equipamentos e desenvolve diferentes habilidades, mas a magia é o elemento que dá personalidade ao conjunto.

Feitiços podem transformar atividades como mineração, pesca e coleta de madeira, fazendo com que tarefas normalmente repetitivas ganhem novas possibilidades. A progressão, portanto, não está apenas em conseguir equipamentos melhores, mas também em transformar a maneira como o jogador interage com o mundo.
A construção segue a lógica tradicional do gênero, funcionando tanto como necessidade quanto como recompensa. A base cresce junto com o personagem e se torna uma representação concreta de sua evolução. O combate, embora funcional, é menos marcante. Ele cumpre bem seu papel, mas é a exploração, a progressão das habilidades e a interação entre sobrevivência e magia que fazem Dragonwilds se destacar.
O Switch 2 é uma ótima plataforma para a proposta
Existe uma combinação natural entre Dragonwilds e o formato do Switch 2. A estrutura do jogo permite sessões curtas, como coletar materiais, concluir uma construção ou melhorar uma habilidade, mas também oferece espaço para partidas mais longas, principalmente quando jogado em coop. O suporte para até quatro jogadores e crossplay entre plataformas amplia ainda mais essa possibilidade.

A versão também oferece os modos TV, mesa e portátil, o que torna a experiência especialmente conveniente para um jogo baseado em progressão constante. Para quem conhece RuneScape, há ainda uma camada adicional de familiaridade através de criaturas, equipamentos, músicas e elementos do universo.
Para quem nunca teve contato com a franquia, entretanto, Dragonwilds consegue funcionar praticamente como uma nova propriedade. Essa acessibilidade é importante para a Jagex, que utiliza o jogo como uma maneira de levar RuneScape para um público que talvez nunca tenha experimentado seus MMORPGs.
O problema está na apresentação
É justamente aqui que a versão de Switch 2 deixa uma impressão menos positiva. Dragonwilds roda a 30 fps no console e utiliza resolução dinâmica, com momentos em que a imagem pode chegar à faixa de 480p a 720p. O resultado é uma apresentação consideravelmente mais suave e borrada do que seria desejável em um console da atual geração. O problema não é simplesmente a ausência de 60 fps. Para um survival desse tipo, 30 fps podem ser perfeitamente aceitáveis.

A combinação entre essa taxa de quadros, resolução reduzida e forte suavização da imagem é que prejudica a experiência. Ashenfall possui ambientes que dependem de distância de visão e detalhes para transmitir sua atmosfera, e a perda de definição acaba diminuindo parte desse impacto. Isso é particularmente frustrante porque o Switch 2 deveria ser uma plataforma bastante adequada ao jogo.
A experiência portátil funciona muito bem com seu ciclo de progressão, mas a qualidade visual cria uma diferença perceptível entre a qualidade do design e a qualidade da apresentação. A questão também não parece necessariamente definitiva. A Jagex já trabalha em melhorias técnicas e confirmou uma programação de atualizações para continuar expandindo o jogo após o lançamento.
Uma boa fundação para crescer
A versão 1.0 representa um salto considerável em relação ao Acesso Antecipado, com novas áreas, equipamentos, inimigos e conteúdos, incluindo a Scorned Wilderness e o confronto contra Kuldra.
Mas Dragonwilds ainda está claramente sendo construído como uma experiência de longo prazo. A Jagex já anunciou novas atualizações e pretende continuar expandindo Ashenfall ao longo de 2027.
Isso é simultaneamente uma oportunidade e um risco. A estrutura atual funciona, mas sua longevidade dependerá de a equipe conseguir adicionar novas atividades e sistemas sem transformar a progressão em uma sucessão de tarefas repetitivas.

RuneScape: Dragonwilds vale a viagem até Ashenfall?
RuneScape: Dragonwilds funciona porque entende que não precisa abandonar a identidade de original para entrar no gênero survival. A progressão por habilidades, a magia e a familiaridade do universo dão personalidade a sistemas conhecidos, enquanto o multiplayer e a estrutura de exploração combinam muito bem com a proposta híbrida do Switch 2.
O maior problema da versão não está no jogo, mas na maneira como ele é apresentado. O Switch 2 parece uma plataforma perfeita para Dragonwilds, mas a adaptação atual não demonstra todo o potencial do console. Ainda assim, existe uma base bastante sólida aqui. A Jagex construiu um survival que consegue conversar tanto com veteranos de RuneScape quanto com jogadores que nunca tiveram contato com a franquia.
Se os próximos updates conseguirem aprimorar a qualidade técnica no Switch 2 e expandir Ashenfall sem comprometer sua progressão, RuneScape: Dragonwilds tem espaço para se tornar uma das experiências mais interessantes da franquia fora do formato tradicional de MMORPG.