A franquia Tales of construiu sua identidade combinando narrativas centradas em personagens, mundos de fantasia e combates que aproximam o RPG tradicional da ação. Tales of Eternia Remastered resgata uma das aventuras mais marcantes dos primeiros anos da série e oferece a oportunidade de conhecer ou revisitar um capítulo importante de sua história. No Nintendo Switch 2, o jogo preserva qualidades que resistiram ao tempo, enquanto algumas limitações da remasterização merecem ser consideradas.
Uma aventura entre dois mundos
A história acompanha Reid Hershel, Farah Oersted e Keele Zeibel, amigos de infância que encontram Meredy, uma jovem misteriosa vinda de Celestia. O encontro revela uma ameaça que coloca em risco os dois mundos, Inferia e Celestia, levando o grupo a embarcar em uma jornada para impedir uma catástrofe.

Embora parta de uma premissa familiar aos JRPGs, a narrativa ganha força na convivência entre os protagonistas. Os diálogos ajudam a estabelecer a personalidade de cada integrante, enquanto as diferenças entre os dois mundos ampliam a dimensão da aventura. A relação entre os personagens é um dos principais elementos que sustentam a jornada, especialmente para quem aprecia histórias construídas em torno da evolução de um grupo.
Algumas passagens poderiam receber mais tempo de desenvolvimento, principalmente quando revelações importantes mudam os rumos da narrativa. Ainda assim, a combinação entre fantasia, descobertas e personagens carismáticos mantém a aventura interessante ao longo de sua duração.
Combates que continuam divertidos
O sistema de batalha é um dos grandes destaques de Tales of Eternia. Em vez de apostar exclusivamente em confrontos por turnos, o jogo utiliza o Aggressive Linear Motion Battle System, que coloca os personagens em combates de ação bidimensionais.
Controlando Reid diretamente, o jogador pode combinar ataques físicos e habilidades especiais para construir sequências de golpes. Os demais integrantes do grupo lutam de maneira independente, mas também é possível ajustar estratégias e orientar suas ações.

Os espíritos elementais, chamados Greater Craymels, acrescentam possibilidades táticas ao permitir o uso de poderes mágicos e diferentes combinações de habilidades. O resultado é um sistema que recompensa a experimentação e mantém os confrontos envolventes, mesmo com sua estrutura clássica.
A inteligência artificial dos aliados nem sempre toma as melhores decisões, o que pode exigir ajustes nas estratégias durante batalhas mais difíceis. A movimentação restrita a um plano bidimensional também pode tornar alguns confrontos visualmente carregados. São características que exigem adaptação, mas não impedem que o combate continue sendo um dos pontos fortes da experiência.
Uma remasterização com melhorias úteis
No Nintendo Switch 2, Tales of Eternia Remastered oferece recursos que tornam a aventura mais acessível ao público atual. Entre eles estão ajustes na frequência dos encontros aleatórios, modificações na quantidade de experiência e dinheiro recebidos, marcadores para localizar objetivos e opções para acelerar determinadas ações. Essas ferramentas ajudam a controlar o ritmo da jornada e reduzem parte da repetição comum aos RPGs mais antigos.
A possibilidade de alternar entre a apresentação visual original e a remasterizada também é interessante, especialmente para quem deseja comparar as duas propostas estéticas.
O tratamento visual apresenta resultados irregulares em alguns elementos. Enquanto determinadas imagens parecem mais suaves, outras preservam contornos pixelados, criando uma apresentação que nem sempre mantém a mesma consistência. A remasterização cumpre sua função de modernizar a experiência, mas poderia ter trabalhado melhor a uniformidade dos gráficos.

A versão nativa de Switch 2 também oferece resolução superior à edição original de Switch, tanto no modo portátil quanto no modo TV, além de carregamentos rápidos. O suporte aos controles de mouse em determinados minijogos é outro recurso adicional que amplia as possibilidades de interação.
A movimentação com o analógico pode apresentar imprecisões nas diagonais, favorecendo deslocamentos horizontais ou verticais. O direcional digital é uma alternativa para quem prefere movimentos mais previsíveis. A ausência de legendas em português brasileiro também merece consideração, já que a compreensão dos diálogos e das instruções é importante para aproveitar todos os aspectos da aventura.
Um clássico que merece ser redescoberto
Tales of Eternia Remastered demonstra que um bom JRPG não depende exclusivamente de recursos modernos para continuar relevante. Seus personagens, o universo de fantasia e o sistema de combate preservam o charme de uma época em que a exploração e a progressão tinham papel central na experiência.
As melhorias de qualidade de vida facilitam o retorno a esse mundo, enquanto os pontos de atenção relacionados à apresentação visual, aos controles e à localização mostram que ainda havia espaço para um trabalho mais abrangente. Infelizmente o jogo não conta com legendas em português do Brasil.
Para quem aprecia JRPGs clássicos ou deseja conhecer melhor a trajetória da franquia, o jogo oferece uma aventura envolvente e um sistema de batalha que continua divertido. A remasterização não reinventa a experiência, mas proporciona uma oportunidade conveniente de redescobrir suas qualidades. É um retorno bem-vindo, especialmente para quem valoriza o estilo dos RPGs japoneses tradicionais.