No dia 29 de agosto cerca de 12 terabytes de dados internos da Valve (criadora da Steam) começaram a circular pela internet em um episódio apelidado pela comunidade de Steam2 Teraleak. Entre os arquivos vazados estão builds de desenvolvimento, protótipos e assets de títulos antigos.
Segundo usuários, insiders e fontes relacionadas ao mercado, esse provavelmente é um dos maiores vazamentos desse tipo que já foram documentados, senão o maior de todos.
Como ocorreu o Steam2 Teraleak?
Ao contrário do que é mais comum de se ver em vazamentos corporativos, o Steam2 Teraleak não envolveu nenhum tipo de invasão de sistemas. De acordo com o dataminer Gabe Follower, um dos primeiros a investigar a origem do material, não houve nenhum tipo de hackeamento envolvido.
Ele confirmou que o mais provável é que o conteúdo tenha sido obtido por meio de um ponto publicamente acessível, o que coloca a responsabilidade no colo da Valve.
Os arquivos, tecnicamente, vêm do Steam2 (daí o nome do vazamento), que era o sistema legado de distribuição de conteúdo que a empresa usava antes de migrar, em 2013, para o SteamPipe. Isso, inclusive, é reforçado pela cronologia do material vazado, que é relacionado a títulos entre 2003 e 2013.

Um streamer identificado como Scolcer, disse que o servidor estava completamente exposto, sem senhas ou barreiras de proteção de qualquer tipo. Estava escondido, mas sem proteção. Não foi necessário nem um ataque sofisticado, pois se tratava de uma infraestrutura antiga esquecida que deveria estar desativada, e não estava.
Curiosamente, um arquivo “readme” foi encontrado entre os dados vazados. Tratava-se de uma mensagem de quem organizou essa “coletânea”, explicando para a comunidade de preservação de jogos que o material foi reunido ao longo do tempo por colecionadores, e não por meio de uma ação única coordenada de invasão.
O que está incluído no vazamento
O Steam2 Teraleak abrange versões beta de jogos como Portal 2 (incluindo uma build de 2009 com mecânicas e uma voz de GLaDOS diferentes daquelas vistas na versão final), Left 4 Dead, Counter Strike: Global Offensive e até um item que poderia se relacionar a uma arma de Half-Life 2: Episode 3.
No entanto, como o Steam2 hospedava conteúdo também das publishers que usavam a plataforma, o buraco é um pouco mais embaixo. Títulos como Fallout: New Vegas, Sonic 4: Episode II, Batman: Arkham Asylum, Mafia 2 e GTA 3, entre outros, fazem parte do pacote vazado.

O site especializado Hardware Busters deixa claro que é um grande problema o fato de as publishers não terem nenhuma influência nisso. Os dados e builds inacabados simplesmente foram a público por uma pendência de manutenção alheia, e agora é impossível reverter a situação.
Onde estão os arquivos?
A partir do momento em que começaram a circular, os dados obtidos por meio do vazamento foram rapidamente catalogados pela comunidade de dataminers e preservacionistas de jogos. Todos os pacotes foram organizados e disponibilizados para download por torrent e outros locais.
Não há, até o momento, indício de que essa divulgação esteja conectada a práticas de extorsão ou venda. O que se vê é algo mais próximo a uma exposição acidental que virou algo valioso para entusiastas e historiadores de games.
Vazamento não traz consequência para os jogadores
Entre os arquivos presentes no Steam2 Teraleak não foram encontrados dados pessoais ou de contas. É um conteúdo histórico, técnico e específico relacionado ao desenvolvimento dos títulos.
O único risco, de fato, é relacionado à legalidade. Enquanto os arquivos forem distribuídos, por serem de propriedade da Valve e das respectivas publishers, baixar, distribuir ou criar projetos utilizando-os tem, naturalmente, riscos jurídicos.
Respostas da Valve sobre o caso
Para não deixar esse tópico simplesmente vazio, convém dizer que a Valve não se posicionou publicamente sobre o ocorrido ainda, apesar de veículos especializados terem tentado entrar em contato com a empresa.

Vale lembrar também que a empresa está envolvida em outro caso de exposição um pouco mais grave, e também recente. Entre 29 de julho e 1º de agosto, a CEVA Logistics, responsável pelo envio dos hardwares Steam na Europa, sofreu um ataque cibernético que expôs dados pessoais (nome, endereço, telefone, histórico de pedidos) de diversos clientes.
Diferentemente do Steam2 Teraleak, no entanto, houve nessa situação uma invasão real dos sistemas por terceiros, e todos os usuários afetados foram notificados por e-mail.
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