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Imagem mostra quadrinhos para fazer referência ao Prêmio Eisner

Prêmio Eisner criará políticas sobre uso de IA nas obras indicadas

Uma antologia em quadrinhos foi retirada das indicações do Prêmio Eisner deste ano. O livro seria indicado ao prêmio de Melhor Antologia e usava IA generativa em parte de seu conteúdo.

Stardust the Super Wizard Anthology, baseado no super-herói de mesmo nome criado por Fletcher Hanks nos anos 40 (que hoje já está em domínio público) foi removido da lista a pedido do próprio editor, Van Jensen. A antologia foi viabilizada por meio de financiamento coletivo feito em 2023 pela plataforma Zoop, com mais de 600 apoiadores e um total de 39 mil dólares.

Autor do conteúdo por IA era um colaborador convidado

Durante a produção do livro, Van Jensen publicou um chamado em suas redes sociais procurando pessoas para contribuírem com a publicação. Entre os escolhidos, ele convidou o escritor Michael Todasco, estudante de Letras da universidade John Hopkins e Diretor Sênior de Inovação no Paypal para criar uma história sob a identidade de sua “persona de IA”, Alex Irons.

Todasco treinou a IA utilizando histórias originais de Stardust escritas por seu criador Fletcher Hanks e usou o resultado para criar tanto o roteiro quanto a arte da história, que continha somente uma página. No livro finalizado, ela é seguida por uma segunda página que diz: “Essa última história claramente foi um trabalho feito por inteligência artificial… Mas esses humanos certamente ainda não aprenderam que nenhuma abominação de IA pode se comparar à beleza narrativa e à genialidade da vida biológica?”

Em nenhum dos materiais divulgados na plataforma durante a campanha de financiamento coletivo havia um aviso sobre o uso de IA em algum capítulo. Nem mesmo os outros colaboradores foram informados do trabalho feito por Todasco, e somente ficaram sabendo quando receberam a primeira cópia em PDF do livro antes da publicação. Segundo Jensen, esse foi o maior erro dele durante todo o processo.

Juízes do Prêmio Eisner também não foram informados

Segundo fontes ligadas ao Prêmio Eisner, os juízes também não sabiam da inclusão do capítulo antes de sua indicação. O editor admitiu que não mencionou isso em sua carta de inscrição oficial, mas aponta que isso estava em uma nota separada entregue posteriormente ao comitê. Entretanto, em entrevista ao Publishers Weekly, alguns membros da equipe do prêmio dizem não lembrar de terem visto essa nota.

Apesar de os juízes do Prêmio Eisner concordarem que o livro não deveria ter sido indicado caso fosse assumido o uso de IA, houve uma discordância a respeito da retirada da publicação da lista, tanto pelo impacto que isso teria no trabalho dos outros colaboradores quanto pelo fato de que o Eisner, até então, não tem nenhuma política clara sobre o uso de IA.

De acordo com alguns dos funcionários do Eisner, a maior atenção em relação à IA envolve a nova liderança de Laura Jones, que ocupa o lugar da recentemente aposentada Jackie Estrada.

Parte dos royalties do autor será doada

Para o Publishers Weekly, Todasco, ou Alex Irons, disse que tudo que usou para treinar a IA estava em domínio público, e que não sabia que a criação seria um problema para o prêmio. Van Jensen, por outro lado, se manifestou contrário ao uso de IA dessa maneira, explicando que durante a produção do livro a percepção dele sobre essas tecnologias mudou.

“Eu acho que o maior perigo é que as ferramentas de IA tornam tão fácil gerar artes medíocres que logo estaremos afogados nelas, e será difícil ou até impossível para o público achar arte real feita por artistas reais”, disse. “Também tem o fato de que as ferramentas foram criadas nas costas de escritores, artistas, cineastas e músicos, que tiveram seus trabalhos roubados, inclusive eu.”

Segundo ele, se a antologia fosse feita um ano depois, ele nunca aceitaria trabalhar com Todasco. O autor do capitulo feito por IA, inclusive, abriu mão de sua parte dos royalties caso o livro receba algum valor. Ela será doada à caridade, assim como ele faz com todos os trabalhos que faz sob seu heterônimo Alex.

Alguns dos outros colaboradores se mostraram desapontados com a retirada da publicação do prêmio, mas também perceberam que todas as notícias relacionadas a isso geraram uma reação dos fãs que seria ainda pior se o livro seguisse como um dos indicados.

O Prêmio Eisner disse que irá anunciar em breve, muito provavelmente, uma política oficial sobre uso de IA nas obras indicadas.

Para mais notícias sobre o universo dos quadrinhos, acompanhe a Black!

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