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Em Supergirl, Milly Alcock derrota direção e roteiro batidos

Após participação especial no excelente Superman (2025), Milly Alcock retornou como Kara em seu filme solo Supergirl (2026). A premissa seguiu Ruthye Marye, uma garota em busca de vingança após ter a família morta pelo bandoleiro Krem. Sem querer se ajustar à vida na Terra, Kara vivia perdida em bares pela galáxia até trombar com Ruthye à procura de um justiceiro que a ajudasse na vingança. De início, Kara não se interessou. Mas, quando um alienígena roubou a espada que Ruthye oferecia como recompensa, Kara foi incentivada pelo cão Krypto a recuperá-la. Ainda assim, Kara não quis se envolver na missão de Ruthye até que, coincidentemente, Krem decidiu roubar a nave da heroína. 

A protagonista contra o mundo

Para uma história que pretendeu explicar as origens e entregar os devidos holofotes à Supergirl, a escalação de Alcock não poderia ser mais certeira. Se, em House of the Dragon, a atriz se provou capaz de uma versatilidade expressiva, Kara pareceu um desafio um tanto menor. A energia caótica da personagem foi bem encarnada, embora o roteiro não tenha se esforçado por diálogos mais inventivos nem a direção saiba ter explorado a personagem ícone de maneiras inspiradoras.

Não aconteceu muita coisa no decorrer do filme, apesar das constantes mudanças de localização e um “jogo de gato e rato” que se desenvolveu entre Kara e Krem. A impressão foi de que o tempo de uma hora e quarenta e oito minutos poderia ser condensado ainda mais, não fossem os confrontos repetitivos entre a protagonista, o vilão e Ruthye. 

Em meio a efeitos especiais que, por vezes, tiraram a imersão pela flagrante artificialidade, e uma aventura incapaz de aprofundar a personagem sem recorrer à vários clichês e generalizações, a performance de Alcock superou o próprio longa. O excesso de ângulos centralizadores, quando um personagem é colocado ao centro da tela sem nenhum outro elemento notável, revelaram uma direção protocolar de Craig Gillespie. Isso contribuiu para uma fotografia pouco criativa e reforçou a repetição ecoada no roteiro. 

Por outro lado, ser baseado em histórias em quadrinhos da personagem e a construção da ambientação contaram à favor. Foi extremamente interessante observar mais facetas de uma dinâmica fora da lei num universo com tecnologias mais avançadas. Num contexto de viagem espacial, o roubo ao ônibus foi eficiente em auxiliar na identificação do espectador com as personagens. Parecer uma história já contada milhares de vezes não significa ser ruim, apenas ignora a necessidade humana pela inovação.

Os Personagens Superficiais

As soluções providenciadas pelo filme ao enorme poder de Kara foram, ao mesmo tempo, inteligentes e preguiçosas. Ao invés de enfrentar inimigos que pudessem rivalizar com ela em força, Kara foi forçada a ser embebedada, desacelerada e envenenada. Pode-se dizer que o seu inimigo principal foi a biologia e Krem estava lá só para cumprir função. A interpretação de Matthias Schoenaerts se alinhou ao roteiro, então é difícil culpá-lo por um personagem totalmente unidimensional. 

Quanto ao desempenho de Eve Ridley como Ruthye Marye, os diálogos designados à ela na primeira parte foram, especialmente, irritantes e se somaram à uma interpretação robotizada e travada. As expressões de Ridley foram, no mínimo, inexpressivas grande parte do tempo. Na segunda metade, quando Marye resolve usar a bondade e fragilidade que tem para enganar, a robotização não vai embora a ponto de transparecer uma falsidade somente não vista pelos vilões. 

No papel do Lobo, Jason Momoa uniu a boa caracterização da equipe técnica a uma interpretação divertida e contagiante. O tempo efêmero de tela trabalhou contra o personagem, mas foi suficiente para perceber que um texto melhor e mais interações entre ele e Supergirl construiriam uma dupla que o público gostaria de acompanhar. 

O filme serviu ao propósito de estabelecer as bases da heroína e confirmou Milly Alcock como ideal para o papel. Numa próxima aventura, espera-se que a direção saiba usufruir do convencional com mais personalidade para aproximar mais o universo DC do cinema e menos de um catálogo no HBO Max. Também é do desejo que roteiros futuros posicionem Kara contra oponentes com os quais precise de 100% de sua força, sem atalhos que a derrubem por meio da maior fraqueza que ela sempre terá. Para Supergirl (2026), um veredito de 3/5.

Para acompanhar a opinião da crítica sobre o longa-metragem, acesse o site do Rotten Tomatoes. Fique de olho na Black e acompanhe detalhes sobre os lançamentos mais recentes do cinema.

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