O diretor sul-coreano Yeon Sang-ho, conhecido mundialmente por Invasão Zumbi (2016), está de volta aos cinemas com Zona Zero (estreia em 15 de outubro). Em vez de apostar apenas no caos tradicional do gênero, o cineasta inova ao transformar os mortos-vivos em um organismo coletivo e altamente inteligente.
O nascimento de um super exército coordenado
Na trama, que acompanha a cientista Kwon Se-Jeong (interpretada por Gianna Jun), um experimento biotecnológico faz com que os infectados compartilhem informações telepaticamente e enxerguem uns pelos outros através de uma gosma peculiar.
Esquecendo a clássica aleatoriedade dos monstros, as criaturas agem sincronizadas criando a impressão de uma coreografia macabra. Movidos por um controle implacável, eles se tornam soldados perfeitos e programados para seguir ordens sem questionar.
Metáfora digital e o isolamento claustrofóbico
O roteiro utiliza grande parte dos conhecimentos do bioterrorista Seo Yeong Cheol, obtidos através de celulares e mensagens de WhatsApp, para criar uma metáfora potente: a desinformação como contaminação social, capaz de transformar seres em máquinas de ódio.
Em paralelo, Yeon Sang-ho retoma o fascínio por espaços confinados. Assim como o trem em movimento de Invasão Zumbi, a história agora se passa em um edifício hermeticamente isolado. Sem poder fugir, os sobreviventes enfrentam duras decisões morais no estilo de um “dilema do bonde”: vale a pena sacrificar uma pessoa pelo bem da nação inteira?
Uma obra imperdível para os fãs do gênero
Embora o roteiro aposte em algumas conveniências narrativas e arquétipos clássicos, o filme se destaca pela fisicalidade da direção, pela atmosfera asfixiante e pelo uso do horror como lente para debater comportamentos humanos.
Mais do que apenas mais um filme de epidemia, Zona Zero prova que a originalidade pode residir não na origem do monstro, mas na forma fascinante como a ameaça evolui coletivamente.