Painel reuniu Daniel Ribeiro, Bruno Freire, Vítor Martins e Miguel Lallo para discutir os desafios de transformar histórias LGBTQIA+ entre diferentes formatos
Encerrando a programação da POC CON 2026 neste último sábado (6), o painel “Adaptações para cinema e quadrinhos” reuniu o escritor Vítor Martins, o ator Miguel Lallo, o diretor Daniel Ribeiro e o quadrinista Bruno Freire para uma conversa sobre os caminhos que levam uma história do livro para o cinema ou das telas para os quadrinhos. A mediação ficou por conta de Thiago Carneiro, o AfroNerd.
Entre relatos pessoais e reflexões sobre representatividade, os convidados compartilharam experiências ligadas a duas obras marcantes da produção LGBTQIA+ nacional: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro e posteriormente adaptado para os quadrinhos por Bruno Freire, e Quinze Dias, romance de Vítor Martins que chega aos cinemas no próximo dia 18 de junho.
Um dos momentos mais emocionantes do encontro aconteceu quando Vítor relembrou a influência de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho em sua trajetória. O escritor contou que a obra ajudou a mostrar a ele que histórias LGBTQIA+ podem ocupar espaços de destaque na cultura brasileira, algo que serviu de inspiração para que ele criasse Quinze Dias. Assista ao trailer de Quinze Dias:
Uma adaptação precisa ser fiel?
No painel, Miguel Lallo, protagonista da adaptação cinematográfica de Quinze Dias, destacou a importância da representatividade para sua geração. Segundo o ator, crescer sem referências positivas de personagens LGBTQIA+ na mídia fez com que produções como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho tivessem um papel fundamental para muitos jovens que buscavam se enxergar nas telas.
Ele ainda comentou sobre a relevância de interpretar um personagem gay e gordo, reforçando como histórias desse tipo ajudam pessoas a se sentirem vistas e representadas.
Durante a conversa, os participantes também refletiram sobre como as narrativas LGBTQIA+ ajudam não apenas a contar histórias, mas também a ampliar o entendimento da sociedade sobre diferentes vivências. Daniel Ribeiro definiu Hoje Eu Quero Voltar Sozinho como uma espécie de “utopia afetiva”, em que a experiência do primeiro amor é retratada de forma universal, permitindo identificação independentemente da orientação sexual do público.
Já Vítor Martins comentou que escreveu Quinze Dias como um romance de formação sobre liberdade, autoestima e pertencimento. O autor explicou que muito de sua própria história está presente no protagonista Felipe e revelou que o livro teve papel importante em seu processo pessoal de assumir sua sexualidade para a família.
Por fim, ao discutir os desafios das adaptações, os convidados concordaram que fidelidade absoluta nem sempre é o mais importante. Para Daniel Ribeiro, por exemplo, uma boa adaptação precisa encontrar equilíbrio entre o respeito ao material de origem e as necessidades da nova linguagem. Vítor complementou dizendo que o fundamental é preservar a “vibe” da obra, permitindo que roteiro, direção, fotografia, trilha sonora e atuação conversem entre si.
POC CON 2026 é sucesso ao reforçar a cultura LGBTQIA+ brasileira nas artes gráficas e nos quadrinhos
Realizada nos dias 5 e 6 de junho no Convention Hall 2 do Distrito Anhembi, em São Paulo, a POC CON 2026 mais uma vez demonstrou a força da produção LGBTQIAPN+ nacional. Considerada a maior feira de quadrinhos e artes gráficas LGBTQIA+ da América Latina, o evento antecedeu a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e reuniu milhares de visitantes em uma programação marcada por diversidade, acessibilidade e fortalecimento de espaços dedicados à cultura queer.
O auditório permaneceu cheio até o último debate, com um público atento e ávido para acompanhar a conversa entre autores, cineastas e artistas. Isso mostrou como as narrativas LGBTQIA+ seguem despertando identificação e interesse do público e como espaços que celebram e ampliam a presença de histórias LGBTQIA+ na cultura brasileira são importantes atualmente.
