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A franquia que resolveu um problema que John Wick ainda carrega

Poucas franquias de ação conseguiram alcançar o nível de prestígio de John Wick. A saga estrelada por Keanu Reeves redefiniu o gênero, elevou o padrão das cenas de combate e criou um universo que influenciou praticamente toda Hollywood. Ainda assim, existe um detalhe curioso: uma produção muito menor conseguiu resolver um problema que a franquia ainda enfrenta.

Quando Bob Odenkirk foi anunciado como protagonista de Nobody (conhecida no Brasil como Anônimo), em 2021, muita gente torceu o nariz. Afinal, o eterno Saul Goodman parecia uma escolha improvável para liderar um filme repleto de tiros, ossos quebrados e confrontos brutais. O resultado foi exatamente o oposto do esperado.

Anônimo se tornou um sucesso surpreendente, transformando Hutch Mansell em um dos personagens mais interessantes do cinema de ação recente. Agora, com Anônimo 2, a franquia amplia sua proposta sem perder aquilo que a tornou divertida desde o início: a simplicidade.

O problema que John Wick criou para si mesmo

Não existe discussão quando o assunto é qualidade de ação. A franquia John Wick continua entregando algumas das melhores sequências de combate já vistas em blockbusters modernos.

Por outro lado, seu universo cresceu tanto que começou a carregar o peso da própria mitologia.

Assassinos, organizações secretas, códigos de conduta, tribunais clandestinos, hotéis exclusivos e dezenas de regras transformaram uma história originalmente simples em uma gigantesca rede de conspirações.

O conceito ainda funciona. Porém, para muitos espectadores, acompanhar todos os detalhes já exige quase um manual de instruções.

A situação ficou ainda mais evidente com a recepção morna de The Continental, série derivada que expandiu ainda mais uma mitologia que talvez já estivesse suficientemente desenvolvida.

Anônimo abraçou a simplicidade

A premissa do primeiro Anônimo também nasce de forma modesta.

Hutch Mansell é um ex-assassino que tenta viver uma vida comum até que um incidente doméstico desperta novamente seus instintos mais violentos. O que acontece depois é uma sequência de confrontos sangrentos contra a máfia russa.

Já em Anônimo 2, a fórmula se repete de maneira inteligente. Hutch tenta apenas aproveitar férias com a família. Naturalmente, tudo dá errado.

No lugar de conectar cada nova ameaça a uma conspiração gigantesca, o filme apresenta um conflito completamente diferente. O protagonista entra em outra situação absurda e precisa sobreviver mais uma vez.

A estrutura episódica é a grande sacada

Enquanto John Wick constrói uma narrativa contínua e cada vez mais complexa, Anônimo segue um caminho mais próximo de aventuras episódicas.

Hutch não precisa salvar uma organização secreta. Não precisa enfrentar um conselho mundial de assassinos. Nem precisa desvendar conspirações internacionais escondidas atrás de portas douradas.

Ele só precisa estar no lugar errado na hora errada.

Essa abordagem permite que cada filme apresente novos vilões, novos cenários e novas situações sem ficar preso a uma cronologia excessivamente complicada.

O resultado é uma experiência leve, dinâmica e muito mais acessível para quem simplesmente quer assistir a um excelente filme de ação.

A mudança de diretores também fez a diferença

Outro fator que fortalece a identidade da franquia é a escolha de diretores diferentes para cada filme.

O primeiro longa ficou nas mãos de Ilya Naishuller, cineasta conhecido por seu estilo energético e por priorizar combates físicos extremamente agressivos. Sua abordagem trouxe uma sensação de brutalidade crua que ajudou a diferenciar o filme de outros sucessos do gênero.

Anônimo 2 entrega o comando para Timo Tjahjanto, um dos nomes mais respeitados do cinema de ação ultraviolento da Indonésia. E os resultados aparecem rapidamente na tela.

Conhecido por produções como The Night Comes for Us e Macabre, Tjahjanto leva sua assinatura visual para cada confronto, elevando o nível de destruição corporal e exagero sangrento.

O futuro de anônimo parece mais livre

Talvez Anônimo jamais alcance a grandiosidade cultural de John Wick.

Na verdade, seu maior trunfo pode estar justamente em não tentar competir nesse terreno.

Enquanto outras franquias gastam energia expandindo universos, criando spin-offs e conectando narrativas cada vez mais complexas, Hutch Mansell parece destinado a algo muito mais simples: entrar em novas confusões, enfrentar novos criminosos e deixar um rastro impressionante de destruição pelo caminho.

Às vezes, uma boa história de ação não precisa de sociedades secretas, regras elaboradas ou mitologias intermináveis.

Às vezes, basta um homem perigoso tentando ter um dia normal e falhando de forma espetacular.

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