Estreia recente do cinema, a animação de Andy Serkis “A Revolução dos Bichos” se propõe a adaptar o clássico ou transformá-lo em algo diferente?
Críticas e comentários, especialmente partindo de fãs da obra de George Orwell, já indicam um tom suavizado da história original, entre outras mudanças que não agradaram o público.
A reação descontente logo chegou ao X (Twitter) e ao Letterboxd, rede social para amantes de cinema. A maioria destaca um ponto em comum: a dificuldade em adaptar uma obra crítica para um público familiar e a forma como o filme falhou nesse quesito.

Mas o que mudou na adaptação?
Como disse a usuária do Letterboxd da imagem acima, o tom foi “açucarado”. Os temas do totalitarismo e da manipulação da verdade precisaram se encaixar ao público-alvo.
O incômodo dos espectadores se concentrou na tentativa de equilibrar piadas jovens e um assunto sério, que acabou ficando de lado.

Além disso, houve a introdução de um personagem que não existe na obra original de Orwell, o Lucky. Ele e outros elementos acabam trazendo um apelo emocional que suaviza o impacto da mensagem da Revolução dos Bichos.
A ideia, ao invés de ser política, se aproximou de uma crítica a grandes corporações e o final (sem spoiler) escolhe ignorar a perspectiva cínica do livro. No geral, a adaptação passou a sensação de uma história nova e higienizada para os espectadores.
Apropriado para a idade ou adaptação infantilizada?
A Revolução dos Bichos traz uma mensagem importante que pode, sim, acompanhar audiências mais jovens. Feito da maneira correta, esse acesso com linguagem apropriada introduz um público infantojuvenil a questões importantes.
Porém, o que afirma o crítico Roger Ebert em seu blog é que “este filme foi financiado com a promessa de entreter e edificar as crianças sem perturbá-las.” Só por haver bichos na composição, isso não faz com que ela seja leve ou que precise ser ingênua.

Com inteligência e simplicidade, Orwell retratou a Revolução Russa através dos animais. Seu objetivo era a clareza da mensagem. Em 1946, um crítico do New York Times disse que A Revolução dos Bichos “poderia ser lido nas escolas primárias, com resultados salutares para a educação democrática“.
Há quem acredite que uma adaptação literal não funcionaria para audiências contemporâneas. Há quem ache as mudanças uma fraqueza em relação ao texto original.
Mas e você, o que acha da adaptação desse clássico?
