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XBOX demite mais de 3 mil: “Nosso negócio não é saudável”

A chefe da XBOX, Asha Sharma, enviou um e-mail para esclarecer as reestruturações aos funcionários na segunda-feira (6). Depois que ela anunciou um plano de cem dias, múltiplas fontes com acesso privilegiado à indústria reportaram sobre possível fechamento ou venda de vários estúdios. A própria CEO divulgou o comunicado ao público em rede social para se alinhar à transparência que buscou desde que assumiu a posição. O site de notícias oficiais, XBOX Wire, também publicou o texto. Cerca de 3.2 mil postos serão eliminados ao longo deste ano, com demissão imediata de 1.6 mil. A expectativa é retornar a crescer financeiramente em 2027.

A economia insustentável da XBOX

Sem citar Phil Spencer, Sharma argumentou que a estratégia adotada pela XBOX não era saudável em termos financeiros e estruturais. A acelerada expansão de estúdios e do catálogo da empresa foi conduzida pelo ex-CEO Spencer de 2015 até o final de 2025. Segundo ela, a companhia operava a margens 3 a 10 vezes inferiores à plataformas e distribuidoras semelhantes. A nona geração do Xbox Series X começou com uma base menor de jogadores e um custo muito maior. Num ano, a cada 1 dólar investido eram perdidos 64 centavos. 

O crescimento do Xbox Game Pass era visto como a salvação, junto à venda multiplataforma de seus jogos e uma catálogo variado. Porém, o The Wall Street Journal revelou serem esperados 77 milhões de inscritos ao serviço. O número atual gira em torno de 30 milhões, após cancelamentos massivos confirmados pelo estrategista da marca Matthew Ball. A onda foi ocasionada por um novo aumento de preço dos planos, o que foi parcialmente revertido em abril deste ano. 

A descentralização burocrática

Para reverter a estrutura inchada de funcionários, Sharma concedeu à Compulsion Games e Double Fine Productions a independência. Esses estúdios passaram a ser donos de si novamente e de suas respectivas propriedades intelectuais. Já Ninja Theory e Undead Labs entraram em negociação para serem adquiridos por outras empresas. Os jogos ainda não lançados, Senua e State of Decay 3, não foram cancelados. 

Cortes em outros estúdios também foram mencionados, embora não especificada a quantidade. A empresa passou a operar num modelo em que uma decisão passava por 14 cadeias de gerenciamento, um tamanho 40% maior do que no começo da geração. Sharma declarou que as cadeias seriam reduzidas a 3 ou 5 funções de gerenciamento, porque o modelo atual atrasou decisões e dificultou o trabalho em torno de uma visão compartilhada. 

A funcionária Helen Chiang foi promovida à Chefe de Operações, responsável por verificar se os conteúdos, plataformas, hardware e serviços estariam operando no modelo de negócio estabelecido. Ela precisará dar retorno diretamente à Sharma. “Eu quero que a XBOX seja uma das poucas companhias que entretêm mais de um bilhão de pessoas por dia. A História está cheia de empresas que confundem longevidade com inevitabilidade. Nós não seremos uma delas”, afirmou a chefe da XBOX.  Ela foi indicada pelo próprio Satya Nadella, CEO da Microsoft, para solucionar os problemas da divisão.

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