O álbum de estreia da filha de Dave Grohl aposta no rock alternativo dos anos 1990 e mostra que a cantora tem, sobretudo, muita identidade própria
Lançado em 29 de maio, Be Sweet To Me é o álbum de estreia de Violet Grohl e um dos lançamentos mais comentados do rock alternativo neste ano. Filha mais velha de Dave Grohl, líder do Foo Fighters, com a produtora Jordyn Blum, a cantora de 20 anos apresenta 11 faixas que passeiam entre grunge, dream pop e rock alternativo, em um trabalho que busca construir sua própria personalidade artística desde o primeiro minuto.
Produzido por Justin Raisen, nome conhecido por trabalhos com artistas como Kim Gordon e Charli XCX, o disco foi gravado em Los Angeles e traz influências declaradas de bandas e artistas que marcaram as décadas de 1980 e 1990. Pixies, PJ Harvey, Soundgarden, Cocteau Twins e The Breeders aparecem como referências que ajudam a moldar a atmosfera do álbum.
Os singles “THUM”, “Applefish”, “595” e “Bug In The Cake” já davam pistas do caminho que Violet pretendia seguir. O resultado é um disco curto, com cerca de 32 minutos de duração, que alterna momentos mais pesados e explosivos e passagens melancólicas e introspectivas, sem perder a coerência sonora. Ouça:
Violet muito além do sobrenome Grohl

Mesmo carregando um dos sobrenomes mais conhecidos do rock, Violet Grohl tem parecido confortável em lidar com as comparações. Em entrevistas recentes, por exemplo, ela reconheceu os privilégios de sua trajetória, mas também deixou claro que prefere ser avaliada pela própria música, algo que Be Sweet To Me faz questão de sustentar.
Embora o lançamento tenha despertado curiosidade por causa da ligação com Dave Grohl, o disco funciona melhor quando ouvido sem esse filtro. Em vez de tentar reproduzir o som do Foo Fighters, Violet aposta em uma estética mais sombria, experimental e próxima da cena alternativa liderada por mulheres nos anos 1990, influenciada por seu interesse pelas histórias de terror e pelo macabro.
Inclusive, um ponto interessante é a forma como o álbum dialoga com o passado sem soar somente nostálgico. As referências ao grunge e ao rock alternativo estão claramente presentes, mas aparecem incorporadas a uma produção contemporânea, que evita transformar o trabalho em uma simples homenagem à década de 1990.
Além disso, a voz de Violet é um dos grandes destaques do álbum. Em diferentes momentos, a artista transita entre interpretações suaves e vulneráveis e explosões intensas, criando uma dinâmica que ajuda a dar personalidade às composições. Faixas como “Big Memory”, “Applefish” e “Plastic Couch”, por exemplo, mostram esse contraste de modo muito natural.
Para quem gosta de rock alternativo, guitarras carregadas de personalidade e artistas que misturam peso e sensibilidade, Be Sweet To Me é uma estreia que merece atenção. Mais do que apresentar a filha de uma lenda do rock, o disco marca o início de uma carreira que pode colocar Violet Grohl em destaque por mérito próprio, algo que já começou a ser criado.
