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A Casa do Dragão: atores explicam cena polêmica do novo episódio

A Casa do Dragão voltou a apresentar momentos desconfortáveis na estreia de sua terceira temporada. Embora muitos espectadores devam comentar a morte dolorosa de Jacaerys Velaryon, interpretado por Harry Collett, durante a Batalha da Goela, outra cena acabou dominando as discussões entre os fãs: o momento íntimo e controverso entre Aemond Targaryen (Ewan Mitchell) e sua mãe, Alicent Hightower (Olivia Cooke).

No primeiro episódio da nova temporada, mãe e filho compartilham uma conversa sincera. Enquanto Aemond tenta definir seus próximos passos como governante de fato, Alicent procura confortá-lo. No entanto, o personagem interpreta esse gesto de afeto de maneira equivocada, criando uma situação que deixa a mãe claramente desconfortável. Durante uma entrevista coletiva acompanhada pela CBR, Ewan Mitchell explicou as motivações por trás da atitude de Aemond e afirmou que o comportamento do personagem nasce dos sentimentos de negligência que ele desenvolveu na infância, além de sua crescente obsessão por poder.

a casa do dragão

O que dizem Ewan Mitchell e Olivia Cooke:

Ewan Mitchell: Aemond cresceu sentindo que nunca recebeu muito amor na infância, então teve que aprender a se amar. É daí que vem seu ego e sua vaidade. Se uma criança não é acolhida pela aldeia, ele a incendeia para sentir seu calor. Ele está trilhando um caminho de guerra. Ele está encontrando seu poder usando Vhagar e construindo uma reputação infame para si mesmo.

Aemond, naquele momento, ascendeu a uma posição em que pode se autodenominar rei e líder da Equipe Verde com tranquilidade. Com isso, talvez ele sinta que pode tentar a sorte com Alicent de uma maneira bem peculiar, porque sua percepção do amor é muito distorcida. Ele não sabe exatamente como demonstrá-lo, já que nunca o recebeu. Acho que o que você está vendo naquele momento é uma combinação desses dois fatores.

A situação ganha contornos ainda mais trágicos quando se observa que Aemond acredita não ter recebido amor durante a infância, embora a realidade tenha sido diferente. Alicent sempre demonstrou profunda preocupação com o filho. Ela chegou a colocar em risco sua amizade com Rhaenyra e sua própria reputação como rainha ao exigir justiça pela perda do olho de Aemond. Entretanto, a relação entre os dois se deteriorou ao longo dos anos, criando um cenário muito mais sombrio.

Em outra entrevista concedida à CBR, Olivia Cooke revelou que Alicent interpreta a cena como um reflexo direto de seu fracasso como mãe. Além disso, a atriz apresentou uma explicação inquietante para o fato de a personagem não conseguir se afastar imediatamente da situação.

Olivia Cooke: Acho que ela acha isso incrivelmente perturbador. É algo totalmente inesperado. Acho que ela pensa: “Ótimo, mais uma falha como mãe”, porque algo foi tragicamente mal interpretado ao longo do caminho. Ela está numa posição muito perigosa agora, porque qualquer aparente rejeição pode levá-la à morte. Isso pode significar que Aemond ainda estará no castelo quando Rhaenyra chegar. Então, ela precisa jogar xadrez em quatro dimensões enquanto tenta sobreviver.

A trama também relembra que os Targaryen historicamente incentivam uniões familiares para preservar sua linhagem de cavaleiros de dragões. Ainda assim, determinadas relações continuam sendo tratadas como tabu até mesmo dentro da própria família. A reação do público ao sonho de Daemon Targaryen (Matt Smith) na segunda temporada demonstrou claramente como esse tipo de abordagem costuma provocar desconforto entre os espectadores.

Por outro lado, Aemond parece ter levado sua obsessão em se tornar o Targaryen perfeito a um nível extremo. Ainda assim, Mitchell sugere que a questão pode ser muito mais profunda. Segundo o ator, a nova dinâmica entre Aemond e Alys Rivers (Gayle Rankin) na terceira temporada de A Casa do Dragão talvez finalmente ofereça ao personagem aquilo que ele sempre buscou emocionalmente.

Mitchell: [Alys poderia lhe dar] alguém para amar, talvez. Alguém para consertá-lo. Deus sabe que ele precisa de conserto.

Apesar de evitar julgamentos severos sobre Aemond, Mitchell reconhece que o personagem está seguindo por um caminho cada vez mais sombrio, capaz de consumir o pouco de moralidade que ainda lhe resta. Mais preocupante ainda, o ator alertou que Aemond “ainda não chegou ao seu limite”.

Mitchell: É certamente um desafio empolgante. Como ator, nunca gosto de julgar o personagem. Quero dar a ele a oportunidade de se defender, por assim dizer. Cada personagem é o herói de sua própria história, e Aemond acredita piamente que é o herói da sua. Ele vai vencer a guerra e fará isso pelas pessoas que ama. A que custo? A que custo para a sua humanidade, e até onde ele está disposto a ir? Os extremos a que ele está disposto a ir são outra questão. Mas acho que Aemond ainda não encontrou seu limite.

Os novos episódios de A Casa do Dragão estreiam todos os domingos às 22h (horário de Brasília) na HBO Max.

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