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A série esquecida que todo fã de The Last of Us precisa conhecer

Quando uma produção conquista o público como The Last of Us, surge uma pergunta inevitável: existe algo parecido para assistir enquanto os novos episódios não chegam?

A resposta pode estar em uma série que muita gente deixou passar. Misturando suspense, ficção científica, drama humano e criaturas aterrorizantes, The Passage entrega vários elementos que transformaram a adaptação da HBO em um fenômeno mundial. E o mais curioso? Sua história nasceu antes mesmo do jogo da Naughty Dog se tornar referência no gênero pós-apocalíptico.

Baseada na trilogia de livros de Justin Cronin, The Passage apresenta uma trama que combina pandemia, experimentos científicos e relações emocionais capazes de sustentar toda a narrativa.

Uma jornada que lembra Joel e Ellie, mas segue seu próprio caminho

A história acompanha Amy Bellafonte, interpretada por Saniyya Sidney, uma jovem órfã levada para o misterioso Projeto Noah. Lá, cientistas tentam desenvolver uma solução para uma ameaça biológica devastadora.

Responsável por escoltar a garota até a instalação está o agente federal Brad Wolgast, vivido por Mark-Paul Gosselaar. No entanto, o que começa como uma simples missão rapidamente se transforma em algo muito maior.

À medida que conhece Amy, Wolgast abandona sua postura fria e passa a protegê-la a qualquer custo. O vínculo entre os dois se torna o coração da série e inevitavelmente lembra a dinâmica que conquistou os fãs de Joel e Ellie.

A diferença é que The Passage constrói essa relação sob uma perspectiva própria, apostando em um desenvolvimento gradual e emocionalmente convincente.

Graças à química impressionante entre Sidney e Gosselaar, cada cena compartilhada pelos personagens ganha peso e autenticidade.

Os “virais” são um dos maiores trunfos da série

Se os infectados de The Last of Us causam arrepios, os chamados “virais” de The Passage também não ficam atrás.

Resultado de experimentos conduzidos pelo Projeto Noah, essas criaturas surgem a partir de um vírus capaz de provocar mutações extremas. Por fora, são monstruosas, violentas e desumanizadas. Por dentro, porém, existe algo muito mais perturbador.

Os virais mantêm uma conexão telepática complexa, comunicam-se entre si e conseguem manipular pessoas vulneráveis. Essa característica adiciona uma camada psicológica rara ao gênero.

Além disso, a série incorpora uma estética fortemente inspirada no horror gótico. Em sonhos e visões, os infectados aparecem em versões elegantes, quase angelicais. Suas vozes são suaves. Seus discursos são sedutores. E suas intenções, naturalmente, estão longe de ser nobres.

O resultado é uma ameaça que assusta não apenas pela violência, mas também pela capacidade de corromper emocionalmente suas vítimas.

Vilões que vão além do bem e do mal

Um dos aspectos mais interessantes de The Passage está na forma como retrata seus antagonistas.

O vírus não apaga completamente a personalidade de quem é infectado. Na verdade, ele amplifica características que já existiam antes da transformação.

Essa abordagem torna figuras como Tim Fanning extremamente fascinantes.

Interpretado por Jamie McShane, Fanning é o paciente zero dos experimentos e líder dos infectados. Ainda assim, suas motivações não se resumem à conquista ou destruição.

Mesmo após sua transformação, ele continua carregando sentimentos humanos, especialmente sua obsessão por Elizabeth Lear, esposa de seu antigo amigo, o Dr. Jonas Lear.

Essa complexidade impede que os personagens sejam reduzidos a simples monstros ou heróis. Em vez disso, a série trabalha constantemente em tons de cinza, tornando os conflitos mais ricos e imprevisíveis.

Saniyya Sidney rouba a cena

Produções centradas em personagens infantis costumam enfrentar um desafio complicado: convencer o público de que aquela criança realmente possui a profundidade que o roteiro exige. Felizmente, The Passage não sofre desse problema.

Saniyya Sidney entrega uma atuação impressionante como Amy Bellafonte. A atriz transmite inteligência, vulnerabilidade, coragem e maturidade sem nunca parecer artificial.

Amy é uma personagem marcada por traumas, mas que se recusa a desistir. Ela se apega às pessoas, sente medo, erra e justamente por isso parece real.

Grande parte do impacto emocional da série nasce da forma como Sidney conduz a personagem, mesmo tendo apenas 12 anos durante as gravações.

Uma amizade trágica que eleva a narrativa

Outro destaque está na relação entre Jonas Lear, interpretado por Henry Ian Cusick e Tim Fanning.

Antes da tragédia, os dois eram amigos próximos. Depois da infecção, tornam-se peças centrais de um conflito emocional devastador.

Lear sabe dos erros cometidos por Fanning. Conhece sua ligação com Elizabeth. Entende o perigo que ele representa. Ainda assim, continua procurando sinais do homem que existia antes do vírus.

Essa mistura de afeto, culpa, ressentimento e esperança transforma cada encontro entre os personagens em um dos pontos mais fortes da série.

Cusick e McShane criam uma dinâmica carregada de tensão emocional, elevando significativamente o nível dramático da produção.

Um cancelamento precoce

Poucas séries recentes mereciam tanto uma segunda temporada quanto The Passage.

Apesar de algumas críticas relacionadas às mudanças feitas em relação aos livros, a adaptação construía um universo repleto de possibilidades. Os mistérios envolvendo os virais cresciam a cada episódio. A relação entre Amy e Wolgast evoluía de forma natural. E diversas perguntas importantes permaneciam sem resposta.

Ainda assim, a produção foi cancelada após sua primeira temporada, uma série que terminou cedo demais, mas que continua sendo uma das obras mais subestimadas do gênero pós-apocalíptico nos últimos anos.

Vale a pena assistir?

Quem procura uma história com sobreviventes carismáticos, ameaças assustadoras, dramas familiares e uma atmosfera constante de tensão encontrará muitos motivos para gostar de The Passage.

A série não tenta copiar The Last of Us. Pelo contrário. Ela utiliza elementos semelhantes para construir uma identidade própria, combinando ficção científica, horror e emoção em doses equilibradas.

Por isso, se você terminou The Last of Us e está procurando algo capaz de preencher esse vazio, talvez tenha encontrado uma das melhores opções escondidas do catálogo televisivo recente.

Infelizmente, The Passage não está disponível oficialmente em plataformas de streaming no Brasil, apenas por meios não convencionais na internet.

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