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IT: Bem-Vindos a Derry: como a série buscou superar o padrão visual dos filmes

It: Bem Vindos a Derry, expandiu o universo do palhaço Pennywise, ao narrar os eventos macabros que ele provocou na Derry dos anos 1960. A série, que antecede os eventos do primeiro filme em cerca de 26 a 30 anos, destaca-se por seus efeitos visuais impressionantes, que vão de bebês-mutantes a criatura-mãe que assombra as noites da jovem Ronnie (Amanda Christine).

Em seu segundo episódio, intitulado de A Coisa na Escuridão, o telespectador é apresentado a “Coisa Mãe”. Em uma sequência alucinatória, Ronnie desperta debaixo das cobertas e se vê presa em uma espécie de útero -uma referência a sua mãe que faleceu durante o parto-, onde a própria cama assume a forma materna. 

O mais incrível desta cena viscosa e assustadora  foi a abordagem escolhida pelo supervisor de efeitos visuais, Daryl Sawchuk: priorizar efeitos práticos em grande parte da produção. Para a cena descrita, por exemplo, foi construída uma cama para abrigar duas atrizes, além dos pequenos detalhes capturados diretamente pelas câmeras.

 “Construímos e adicionamos uma gosma a um intestino com uma aparência muito nojenta para que ela pudesse alcançar. Tudo o que fotografamos era real -as cortinas, a iluminação, tudo no quarto era uma base sólida. Entramos e desidratamos a Mãe, transformando-a em um cadáver, com um efeito mumificado e ressecado, mas tínhamos uma base excelente para trabalhar,” conta Sawchuck.

Porque a equipe escolheu os efeitos práticos?

A principal resposta para está pergunta é a necessidade de a série  se igualar -ou até superar- os padrões visuais dos sucessos de bilheteria, IT: A Coisa (2017) e IT: Capítulo 2 (2019). Para atingir esse padrão, Daryl trabalhou em estreita colaboração com Andy Muschietti, co-criador da série. Em uma das cenas mais chocantes de Bem-Vindos a Derry -o nascimento do bebê mutante voador-, a equipe de próteses chegou a manusear marionetes para a sequência do parto.

Atribuindo esse estilo de produção a “um filme de terror à moda antiga”, o supervisor comenta que essa é a melhor forma de impactar o telespectador: “acho que  em qualquer outra plataforma ou com qualquer outro estúdio, provavelmente haveria muitas críticas e talvez uma abordagem mais conservadora.”

No fim, Daryl e Andy levaram dois anos e meio para concluir a primeira temporada, enfrentando greves e outros atrasos na indústria cinematográfica. No entanto, a equipe utilizou esse tempo extra para elaborar estratégias inovadoras e aprimorar suas ideias ao máximo. Eles também contaram com a Rodeo FX, em Montreal -renomado estúdio de efeitos visuais que trabalhou nos filmes originais- como sua principal fornecedora. 

Essa outra parceria de peso trouxe de volta a figura central da franquia: o palhaço Pennywise, interpretado novamente por Bill Skarsgard. Mudanças sutis em sua fisionomia e na forma como foi filmado garantiram um impacto ainda maior. 

“Nunca conseguimos chegar tão perto dele e apreciar de verdade a gosma, a baba e todos os detalhes da boca e dos dentes.  Sabíamos qual era a aparência básica que a criatura precisava ter, mas queríamos garantir que pudéssemos aprimorá-la e lavá-la ao limite,” lembra Sawchuck, citando o direcionamento de Andy. 

Sobre IT: Bem Vindos a Derry

IT: Bem Vindos a Derry é a série original da HBO, é funciona como prelúdio dos filmes IT: A Coisa (2017) e IT: Capítulo 2 (2019). A produção conta com oito episódios disponíveis no streaming. Sua segunda temporada já está em desenvolvimento e será ambientada em 1935, onde deve explorar o trágico evento conhecido como “Gangue Bradley”, contando novamente com o retorno de Bill Skarsgard no papel de Pennywise.

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