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rosa quem ama cuida

Quem Ama, Cuida desafia estereótipos com Rosa, personagem de Tatiana Tibúrcio

Quem Ama, Cuida vem encontrando em Rosa (Tatiana Tibúrcio) uma maneira de quebrar um antigo estereótipo da teledramaturgia brasileira: o da empregada doméstica negra que conhece os problemas de todos, cuida da família para quem trabalha e participa dos conflitos dos patrões, mas raramente possui uma história própria.

Desde o início da novela, Rosa mostra que sua existência não se resume à cozinha da família Brandão. Foi ela quem ajudou Adriana (Leticia Colin) a conseguir trabalho depois da enchente e, agora, ganha ainda mais relevância ao perceber o suborno de Tom (Allan Souza Lima) e se recusar a baixar a cabeça para Pilar (Isabel Teixeira), sua nova patroa.

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A avaliação da atriz

Para Tatiana Tibúrcio, a personagem poderia facilmente cair nesse lugar-comum, mas ganhou camadas que permitem que o público conheça uma mulher para além de sua profissão e da relação com os patrões,como afirmou ela ao Notícias de TV.

“A novela quebra paradigmas já consolidados nas nossa cabeça a respeito de figuras, sentimentos e acontecimentos”.

Rosa é generosa, acolhedora e cuidadora, mas essas características não significam submissão. Ela observa o que acontece ao seu redor, desconfia, toma decisões, expressa suas opiniões e estabelece limites, inclusive diante de Pilar. A relação entre patroa e empregada não impede Rosa de confrontá-la quando considera necessário.

“Rosa tinha tudo para ser uma personagem comum, mas a escrita abre espaço para que ela exista para além dos estereótipos”, destaca Tatiana.

Essa construção também evita outro caminho comum: transformar a personagem negra em alguém que precisa representar apenas força ou resistência. Rosa pode cuidar, amar, se divertir, se posicionar, entrar em conflito e até se contradizer. Sua humanidade está justamente na possibilidade de reunir todas essas características.

“Ela é uma mulher generosa, cuidadora e bondosa, mas também objetiva, prática e cheia de personalidade. Isso permite mostrar uma mulher preta com individualidade, humanidade e contradições, sem precisar transformá-la em símbolo ou discurso”, afirma a atriz.

Ao permitir que Rosa tenha voz, limites e personalidade para além de seu trabalho, Quem Ama, Cuida ajuda a romper com uma representação que durante décadas reservou às empregadas domésticas negras o papel de coadjuvantes das histórias de outras pessoas. Rosa cuida, aconselha e ajuda, mas também existe por si mesma e é justamente isso que faz diferença.

Foi justamente essa construção que mais chamou a atenção de Tatiana Tibúrcio ao conhecer a trajetória de Rosa. Para a atriz, a personagem consegue ultrapassar estereótipos que por décadas marcaram a representação de mulheres negras na dramaturgia brasileira, ganhando uma existência que não se limita ao trabalho ou à relação com os patrões.

“Quando vemos a relação dela com os companheiros na cozinha, a postura dela diante da autoridade da Pilar (Isabel Teixeira), a relação com a filha, o dilema da mãe, a Rosa passa a ser um indivíduo com vontades, desejos, identidade, conflitos, dilemas, perspectivas para o futuro e opinião. Assim ela existe enquanto sujeito, mesmo que ficcional, ela existe. E isso me deixa muito feliz”, analisa.

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Ela não é a Tia Nastácia

Tatiana Tibúrcio também participou ativamente do processo de construção de Rosa,como evelou ao Terra. Segundo a atriz, a descrição inicial da personagem remetia a uma figura cuja existência estava voltada quase exclusivamente para cuidar dos outros. “Eu só falei: ‘Bom, então é a Tia Nastácia, que vive pro outro’”, contou, em referência à personagem de Sítio do Picapau Amarelo. A partir dessa percepção, Tatiana levou seus próprios questionamentos para a equipe. “Então, eu trouxe questionamentos e apontei como a gente podia escrever um outro olhar sobre essa mulher, trazendo ela para o concreto, o que foi aceito rapidamente pela equipe. E aí eu mergulho nas mulheres que me cercam.”

Foi dentro da própria família que a atriz encontrou algumas das principais referências para construir essa outra possibilidade de representação. Tatiana cita sua madrinha Amora, que trabalhou como doméstica e, durante a ditadura, chegava à casa de um coronel para trabalhar usando blusa de cetim amarela, calça de brim acinturada, salto alto e bolsa tiracolo. A mãe e as tias da atriz também serviram de inspiração para Rosa.

“Elas não se viam nesse lugar imaginado de uma estética quase coitadinha, sem vaidade. Elas eram vaidosas, cuidadosas com suas imagens, e eu queria que a Rosa fosse essa funcionária, e não essa outra que também existe, mas que está ratificada como a única e que corresponde a um arquétipo no imaginário social. Eu quero falar das outras Rosas, das outras que também existem e que proporcionam para gente uma reflexão para fora dessa caixinha”, reflete Tatiana.

Quem Ama Cuida vem refletindo sobre vários assuntos da sociedade, além desta construção do emprego doméstico, outro tema fortemente debatido na novela é a homofobia, veja aqui.

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