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“Animações não são só para crianças”, diz diretor de Ray Gunn

Brad Bird, diretor de Os Incríveis e Ratatouille, estreou em Hollywood com a animação “O Gigante de Ferro”, de 1999. Mesmo com grandes sucessos para o público infantil, ele reforça sempre que possível que animação, para ele, não é um gênero, e sim uma “forma de arte que pode ser utilizada para qualquer gênero”. E é isso que ele quer provar com Ray Gunn, longa animado com lançamento previsto para dezembro na Netflix.

Em parceria com John Lasseter, sob a assinatura da Skydance Animation, Bird finalmente vai realizar o sonho de lançar seu trabalho de uma vida, que começou muito antes até mesmo de seu primeiro filme.

O portal Polygon fez uma análise para descobrirmos o que esperar de Ray Gunn.

Sci-fi, Noir, Romance, Ação e Detetives: Ray Gunn é um pacote enorme de emoções.

A Skydance parece não ter poupado nenhuma despesa para levar Ray Gunn ao nível técnico dos sucessos de Bird na Pixar. O resultado é uma arte conceitual que ganhou vida. O protagonista, dublado por Sam Rockwell, e seu parceiro alienígena de um olho só, Eye-Ra (Tom Waits), cruzam uma cidade retrofuturística gigantesca que salta aos olhos de quem assiste.

Na trama, eles estão correndo atrás da verdade por trás de um assassinato ligado à diva Venus Nova (Scarlett Johansson), e durante a viagem cada centímetro da metrópole parece habitado, e tudo cercado por uma arquitetura impecável que conecta a convivência entre humanos e extraterrestres.

Bird traz à tona assuntos como tensões raciais, invasão da tecnologia no meio artístico, IA e seu potencial de minar a criatividade humana e uma economia instável com corporações criminosas. Um verdadeiro banquete de ação visual, com quadros muito bem desenhados e ótimas sacadas, dignas de um diretor que já foi responsável por muitos episódios de Os Simpsons.

Para fechar, a vibe art déco futurista encontra uma trilha sonora de peso, feita por Michael Giacchino, com quem Bird trabalhou em Os Incríveis, que traz faixas de jazz originais e inconfundíveis.

Isso tudo embala o clima (surpreendente) de romance do filme, já que enquanto investiga a ligação de Venus Nova com o assassinato, Ray se apaixona por ela, culminando em uma sequência linda em gravidade zero, em que dançam até se entregarem à paixão. Segundo o Polygon, seria talvez o momento mais romântico em uma animação desde “Kiss the Girl”, de A Pequena Sereia

Deslumbrante, ágil e estilizado

Ray Gunn entrega tudo que Bird sempre quis fazer. Depois de 30 anos tentando colocar o filme no mundo, ainda que tenha feito seus enormes sucessos na Pixar, é hora de o diretor ver seu trabalho da vida inteira brilhar nas telas, ainda que não nos cinemas.

Uma aventura sofisticada, com comédia adulta. Um tipo de filme extremamente único, que vemos muito pouco no circuito mainstream de animações. O filme prova com tranquilidade a opinião de Bird: o potencial das animações vai muito além do que vemos na maioria dos lançamentos.

Ray Gunn tem estreia prometida para o dia 18 de dezembro na Netflix, e já conta com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes. Nos resta esperar para ver o que vem por aí!

Para mais novidades sobre cinema e streaming, confira os conteúdos da Black.

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