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Brad Bird, diretor de Os Incríveis, comenta uso de IA e continuações em Hollywood

Brad Bird voltou a defender a criatividade na animação e criticou o caminho que Hollywood vem seguindo. Durante a San Diego Comic-Con, o diretor falou sobre inteligência artificial, a dependência de sequências e a falta de espaço para projetos originais, ao promover seu novo longa de animação noir, Ray Gunn.

Embora reconheça que a IA desperte preocupação, Bird acredita que a tecnologia pode fortalecer o trabalho dos artistas, desde que permaneça sob controle humano. Para ele, a ferramenta poderia assumir tarefas técnicas, como a criação de animações intermediárias, enquanto os animadores continuariam responsáveis pelas decisões criativas.

.”Acho que é uma questão de cautela, como qualquer avanço tecnológico. Quero dizer, a bomba atômica é uma coisa horrível e, à sua maneira distorcida, levou a um período de paz mais longo entre as guerras mundiais. Então, aqui está algo muito negativo que tem um lado positivo. Vale a pena? Não sei.”

Em seguida, o cineasta explicou como imagina esse uso na prática.

“Mas na IA, se isso pudesse substituir uma equipe de assistentes — em outras palavras, se estivermos falando de animação desenhada à mão, o animador principal ainda faz os desenhos à mão, mas quando chega a hora de criar as animações intermediárias entre as poses principais, talvez haja uma maneira de a IA fazer algumas dessas suposições, e então um humano pode entrar e corrigir o que ela não fez. E se isso significar que você poderia ter equipes de artistas um pouco menores, que teriam total controle, sem ceder o controle à IA, mas com uma equipe menor que pudesse fazer isso de forma mais econômica, então você poderia arriscar mais em histórias, porque agora, se você apresentar algo que não seja familiar, ninguém quer fazer.”

Além disso, Bird criticou a dependência cada vez maior de Hollywood por sequências, prequels e spin-offs. Apesar de reconhecer que algumas continuações se tornaram clássicos, ele considera preocupante que esse modelo domine a indústria.

“Você vê mil sequências, prequels e spin-offs, e veja bem, vários dos meus filmes favoritos são sequências, sabe? O Império Contra-Ataca, como você pode fazer um filme melhor do que esse? Mas não pode ser o tipo de filme que ocupa a maior parte do tempo, certo?”

“As boas não acabaram”

A declaração chama atenção porque o próprio diretor transformou Os Incríveis em uma das franquias mais lucrativas da Pixar. Ainda assim, ele acredita que os grandes estúdios deixaram de apostar em ideias inéditas por medo do risco comercial.

“As boas ideias não acabaram há 20 anos. Ainda existem novas boas ideias que não estão sendo compradas [pelos estúdios] como deveriam porque a atitude é de medo, do tipo ‘e se as pessoas não souberem do que se trata?’ Pois é, bem-vindos ao mundo da criação.”

Por fim, Bird citou a própria trajetória para ilustrar esse problema. Concebido entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, Ray Gunn permaneceu engavetado por mais de 30 anos antes de finalmente sair do papel. O longa de animação futurista estreia na Netflix em dezembro e simboliza justamente o tipo de projeto original que, segundo o diretor, Hollywood deixou de priorizar em favor de propriedades já conhecidas.

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