Em entrevista ao USA Today, Christopher Nolan revelou detalhes sobre o processo de produção de A Odisseia e explicou as principais influências que orientaram sua adaptação da clássica obra de Homero. Entre elas, o diretor destacou A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, como uma das referências mais importantes durante a pré-produção. Segundo Nolan, ele e sua equipe analisaram diversos filmes antes do início das filmagens, mas concentraram seus estudos especialmente na obra de Scorsese, que considerou fascinante tanto pela linguagem cinematográfica quanto pela profundidade de seus personagens.
O cineasta afirmou que ficou especialmente impressionado com a forma como Scorsese retrata Jesus, apresentando-o como uma figura marcada por dúvidas, sofrimento e conflitos internos. Para Nolan, essa abordagem foi ousada e desafiadora para o público, justamente por humanizar um personagem tradicionalmente visto como perfeito. Essa perspectiva serviu como inspiração para construir seu Odisseu, enfatizando que o herói grego também deve ser retratado com todas as suas contradições, fraquezas e dificuldades, sem perder a fidelidade à essência do personagem criada por Homero.

Nolan explicou que, apesar das diferenças entre as duas histórias, existe um ponto de encontro entre Jesus e Odisseu: ambos enfrentam jornadas profundamente transformadoras, repletas de desafios físicos, emocionais e espirituais. Por isso, sua intenção é apresentar um protagonista complexo, cuja grandeza não está apenas em seus feitos heroicos, mas também na forma como enfrenta seus conflitos internos e lida com as consequências de suas escolhas ao longo da narrativa.
Outro aspecto importante abordado pelo diretor foi a representação dos elementos fantásticos presentes na epopeia. Mesmo com criaturas mitológicas como ciclopes, monstros de seis cabeças e outros seres sobrenaturais, Nolan afirmou que deseja construir um universo em que esses elementos pareçam críveis para o espectador. Em vez de tratá-los apenas como efeitos visuais impressionantes, sua proposta é fazer com que o público desenvolva uma relação emocional com esses fenômenos, tornando-os parte orgânica da história.

Para alcançar esse efeito, o diretor revelou que buscou inspiração em clássicos do suspense como Alien e Tubarão. Segundo ele, esses filmes demonstram que o medo e o impacto podem ser mais eficazes quando as criaturas são sugeridas por sons, sombras e silhuetas, em vez de aparecerem constantemente em cena. Essa estratégia aumenta a tensão, desperta a imaginação do público e fortalece a atmosfera da narrativa.
Nolan também destacou a influência de seu amigo Guillermo del Toro, cineasta conhecido por tratar criaturas fantásticas com grande profundidade dramática. O diretor elogiou a capacidade de Del Toro de transformar monstros em personagens complexos, dotados de motivações, sentimentos e significado dentro da história. Inspirado por essa abordagem, Nolan pretende que os seres mitológicos de A Odisseia não sejam apenas obstáculos enfrentados pelo herói, mas personagens que contribuam para o desenvolvimento emocional da trama e reforcem os temas centrais da jornada de Odisseu.
