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Dolly – A Boneca Maldita, crítica do gore polêmico que divide opiniões

Dolly – A Boneca Maldita aposta em gore extremo e estética retrô, mas falha na narrativa e desenvolvimento, entregando uma experiência mais visual que envolvente.

Eu terminei de assistir Dolly – A Boneca Maldita completamente em choque, e, sinceramente, ainda não sei dizer se isso é bom ou ruim.

O filme parece perdido em vários momentos, como se não tivesse uma direção muito clara do que quer contar. Tudo gira em torno de uma violência constante, quase gratuita, que simplesmente acontece sem muita explicação ou construção por trás.

Uma estética que remete ao terror dos anos 2000, para o bem e para o mal

Logo no começo, o impacto já vem forte. A sensação é de estar assistindo a uma mistura de O Massacre da Serra Elétrica com Pânico na Floresta, só que com um detalhe extra: várias bonecas bizarras espalhadas pela história.

E olha, para quem já tem um certo pavor de bonecas (eu me incluo totalmente nisso, principalmente as de porcelana), o filme acerta em cheio nesse incômodo. Existe um desconforto constante, muito mais visual do que narrativo, mas que funciona.

A fotografia mais suja, granulada, com aquele aspecto de filmagem em 16mm, ajuda muito a construir essa atmosfera. Junto com os efeitos práticos e o gore escancarado, o filme traz uma vibe bem anos 2000, e confesso que isso bateu até como uma nostalgia inesperada. Pra quem curte algo mais cru, mais visceral, esse é facilmente um dos pontos altos.

Violência extrema e exageros que rompem qualquer lógica

Só que aí vem o outro lado da moeda.

Se por um lado o filme abraça o grotesco sem medo, por outro ele exagera tanto que acaba perdendo a mão. Tem cenas que ultrapassam completamente o limite do “ok, isso faz sentido dentro do filme” e entram num nível tão absurdo que fica difícil levar a sério.

Coisas como uma personagem levantando alguém pelo pescoço a metros do chão, ou literalmente atravessando o corpo de outra pessoa com as próprias mãos, sem qualquer construção ou lógica. São momentos que deixam claro que o foco é chocar, não fazer sentido.

Esse tipo de exagero até lembra o terror mais antigo, lá dos anos 70, onde muita coisa absurda simplesmente acontecia e ninguém questionava muito. Mas hoje, nem sempre isso funciona bem, como foi naquela época.

Narrativa fraca e falta de desenvolvimento prejudicam Dolly – A Boneca Maldita

Aqui entra, pra mim, o maior problema.

Dolly – A Boneca Maldita praticamente não tem uma narrativa sólida. A direção de Rod Blackhurst parece pouco preocupada em explicar o que está acontecendo ou por quê.

Tudo fica no campo da suposição. Dá pra imaginar que a personagem principal tenha um histórico de abusos, traumas psicológicos e até algum transtorno mais sério, com um gatilho ligado à morte da mãe. Mas o filme não desenvolve nada disso de verdade.

E aí fica difícil se envolver. Falta peso emocional, falta conexão. Você assiste, mas não se apega a ninguém.

Elenco fraco e atuações pouco convincentes

O elenco também não consegue segurar o filme.

Fabianne Therese, como Macy, até tenta, mas acaba limitada por um roteiro que não dá muito espaço pra construção. Já Seann William Scott, que muita gente lembra de American Pie, aparece aqui sem grande destaque.

No geral, as atuações são irregulares e faltou uma direção mais firme pra extrair algo melhor desse elenco.

Entre o grotesco e o nostálgico: Dolly – A Boneca Maldita sabe o que quer ser (mas não vai além)

Apesar de tudo isso, eu entendo exatamente pra quem esse filme foi feito e, em parte, eu sou esse público.

Quem gosta de gore pesado, body horror, coisas bizarras e desconfortáveis, provavelmente vai encontrar algum tipo de diversão aqui. Eu mesma, em alguns momentos, fiquei meio “ok… isso é absurdo, mas eu tô gostando”.

A cena final deixa isso ainda mais claro. É praticamente uma homenagem direta a O Massacre da Serra Elétrica, repetindo uma construção bem semelhante. Fica evidente que o diretor sabe de onde está puxando suas referências e não tenta esconder isso.

O problema é que o filme para aí. Ele homenageia, referencia, mas não constrói algo próprio.

Impacto visual não sustenta a falta de conteúdo

No fim das contas, Dolly – A Boneca Maldita não parece nem tentar agradar todo mundo, e talvez essa nem seja a proposta.

Ele aposta no choque, na violência gráfica e nessa estética mais crua pra atingir um público específico.

Mas sem uma história bem construída, sem personagens fortes e sem um desenvolvimento mais consistente, tudo fica raso.

Pra quem curte o extremo, pode até funcionar. Mas pra quem espera algo além do visual, a sensação provavelmente vai ser de frustração.

*Crítica por Elizabeth Matheus – @euelizabethmatheus

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