Depois da boa surpresa de “Superman” com David Corenswet, no ano passado, chegou a vez da famosa prima do homem de aço ter sua própria história. E o filme “Supergirl” estreia nesta quinta-feira (25/06) nos cinemas. O longa-metragem é dirigido por Craig Gillespie e estrelado por Milly Alcock, trazendo dramas da heroína circulando pelo universo em busca de si mesma.
Milly apresentou a personagem muito brevemente em “Superman”, mas já demonstrou a personalidade combativa e impaciente de Kara Zor-El. A verdadeira dona do supercão Krypto começa o filme de ressaca, comemorando um aniversário em uma nave espacial, pulando de bar em bar pelas galáxias. Evitando o contato do primo, Kara está perdida – tanto física quanto emocionalmente.
Diferente de Clark, Kara cresceu entre os kryptonianos, e viu o que sobrava do seu planeta ruir. Ela não tem a forte ligação que o primo tem com a Terra. E é em detalhes da interpretação e cenas curtas que vamos descobrindo a história da Supergirl. Isso aprofunda a personagem. Em um bar qualquer do universo, ela acaba se envolvendo em uma briga para defender uma garota que perdeu os pais. E mesmo evitando ser uma heroína, ela se envolve na vingança de Ruthye (Eve Ridley) – mas só quando o vilão Krem (Matthias Schoenaerts) sequestra seu cachorro.
Dupla dinâmica
Eve e Kara formam uma relação quase cômica, mas que consegue trazer dramaticidade. Por vezes, com algumas cenas arrastadas, por outras, com boas lutas, o filme se desenrola com pequenas subtramas – visitando clichês da ficção científica. “Supergirl” bebe visualmente da fonte de “Guardiões da Galáxia” e de trechos de “Mad Max: Estrada da Fúria”, tirando a profundidade deste último. Os desvios da trama principal parecem tentativas de criar um senso de justiça na heroína – nem sempre conseguindo fazer isso bem.
Os diálogos também não são grande coisa – servem à trama e só. Aqui, é difícil não comparar com o bom desenvolvimento de “Superman”, tanto do personagem quanto do novo Universo DC. Além de apresentar Lobo (uma interpretação ótima e divertida de Jason Momoa), aqui pouco aparece do que James Gunn (que assina a produção) propõe à nova fase das adaptações de quadrinhos.
Mas a dinâmica entre as personagens centrais acaba encantando aos poucos. Quanto mais se revela sobre Kara, mais é possível entender suas camadas dramáticas e a proteção que ela tem da garota – ainda que não admita isso. E o filme consegue contrapor muito bem a personalidade da Supergirl em relação ao otimista Superman, sem se apoiar demais na figura carismática de David Corenswet.
Visuais
A caracterização das duas é muito boa, assim como do Lobo. Já alguns personagens secundários acabam caindo no caricato, enquanto outros trazem traços interessantes. Alienígenas de diferentes formatos exploram as possibilidades visuais, mas pouco é aproveitado como história. Alguns humanoides com maquiagem questionável ganham mais tempo de tela do que os personagens mais visualmente interessantes. Mas nada que atrapalhe as cenas de lutas intensas – como a surpreendente tentativa de roubo de um ônibus espacial.
O bom uso de luzes, especialmente nas cenas que destacam a forma como os sóis de diferentes cores afetam a Supergirl, ajudam a criar momentos mais intensos. Aliado a algumas boas piadas, trilha sonora bem colocada e ação intensa, “Supergirl” consegue divertir ao longo de sua 1h50 de duração. NOTA: 3.5/5.0
Texto por Brunow Camman

