A Parada LGBTQIA+ de Mato Grosso confirmou a funkeira Tati Quebra Barraco como a principal atração de sua nova edição. O evento acontecerá no dia 27 de junho, com concentração na Praça Ipiranga, a partir das 15h. Em seguida, o público seguirá em caminhada até a Orla do Porto, espaço que tradicionalmente recebe apresentações artísticas, manifestações culturais e outras atividades do movimento.
Sobre o evento:
Organizada pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso, a edição deste ano adotou o tema voltado ao envelhecimento da população LGBTQIA+, buscando dar visibilidade aos desafios enfrentados por essa parcela da comunidade. Além disso, a proposta pretende valorizar trajetórias que contribuíram para a construção da luta por direitos no estado.

Em entrevista ao Primeira Página, o presidente da associação, Clóvis Arantes, explicou que o tema surgiu da necessidade de conectar passado, presente e futuro.
“Quando a gente fala em envelhecer com orgulho, democracia, resistência e memória, estamos falando da possibilidade de olhar para quem veio antes de nós, reconhecer essas histórias e, a partir delas, planejar o futuro. A memória não é só lembrança, ela é ferramenta para construir caminhos”, afirmou o presidente.
Ao mesmo tempo, Clóvis, que também recebeu o título de Rei da Parada, ressaltou que a discussão busca colocar em evidência um grupo frequentemente invisibilizado pela sociedade. Segundo ele, muitas pessoas LGBTQIA+ acabam se afastando dos espaços públicos à medida que envelhecem.
“Há muitas pessoas que já não estão mais nos espaços públicos, que se recolhem por conta da pressão estética, por não se enxergarem nesse padrão que a sociedade impõe. Isso é ainda mais evidente quando falamos de travestis e pessoas transexuais, que enfrentam um processo de envelhecimento atravessado por preconceitos e por uma série de vulnerabilidades”, comentou.
Além da visibilidade, o dirigente destacou que a pauta envolve reivindicações estruturais relacionadas à qualidade de vida da população LGBTQIA+. Por isso, temas como saúde, educação e acesso à moradia também estarão presentes durante a mobilização.
“Falar de envelhecimento é falar de saúde, de educação, de moradia, de dignidade. É entender que essas pessoas precisam de políticas públicas específicas e de um olhar mais atento da sociedade. Não é um debate isolado, é um debate estrutural”, afirmou.
Por fim, Clóvis reforçou que a parada continua sendo o principal espaço de mobilização do movimento em Mato Grosso e uma oportunidade para promover o diálogo entre diferentes gerações.
“A parada é esse grande momento de encontro, de ocupação das ruas, onde conseguimos ampliar essa conversa. É ali que conseguimos dar visibilidade e chamar a sociedade para participar. O lançamento já mostrou a importância desse diálogo, mas ele precisa continuar e crescer até o dia da parada”, concluiu Clóvis.
Em 2025, a Parada LGBTQIA+ de Mato Grosso recebeu a cantora Valesca Popozuda como principal atração, reunindo milhares de pessoas na Orla do Porto.
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