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Luminária: Livro físico ou digital, qual o melhor?

Um embate antigo, mas ainda em discussão, é se os livros digitais são melhores que os físicos, ou vice e versa. Questões como acessibilidade, preço, experiência, ecologia entre outros, são alguns argumentos para defender um ou outro, assim, a proposta desta coluna é explorar tais pontos. Então, guarde seu impresso na estante, desligue seu dispositivo, ligue a Luminária e vamos debater sobre livros físicos e digitais.

Livros físicos, digitais e em áudio

A diversidade de escolha do leitor contemporâneo sobre em qual formato consumirá a história pretendida envolve impressão, versão digital ou através de áudio. De acordo com G1 em uma matéria de 2024, leitores de livros físicos, e-books e audiolivros gastarão quase 174 bilhões de dólares (R$ 862 bilhões) até 2030.

O que muitos discutem é se o moderno formato digital substituirá a milenar versão impressa de uma história. Vantagens e desvantagens são apontadas para cada um, desde a experiência de leitura até os impactos ambientais que provocam. Outro debate é se audiolivros são ou não considerados leituras, uma discussão que trarei na próxima coluna, aguarde.

A Trend Tracker Survey foi uma pesquisa realizada pela Two Sides no ano de 2023, entrevistando mais de 10 mil pessoas de 16 países diferentes, sendo que no Brasil foram 1.000 pessoas ouvidas. Este estudo afirmou que 64% dos leitores preferem realizar suas leituras em livros impressos. Porém, para ficar antenados nas notícias, 73% dos entrevistados optam pelos meios digitais.

Usuários do Reddit empreendem discussões sobre o assunto, alguns afirmam que preferem livros físicos devido a melhor concentração na leitura, outros defendem os e-books pela facilidade de acesso, mas há uma intersecção nesses grupos onde há leitores que utilizam ambos os formatos.  

Com isso, vamos analisar as vantagens e desvantagens de cada um dos formatos:

Livros digitais

Os livros digitais, ou e-books, caracterizam-se por sua velocidade de acesso a conteúdos variados e acesso instantâneo ao texto através da aquisição de arquivos em formato PDF e ePUB. Há também a diversidade em ler tais livros em smartphones, tablets, computadores e dispositivos próprios para leitura, os e-readers, como Kindle e Kobo.

Textos digitais também entregam interatividade, interligando links para outras informações e elementos gráficos variados, como marcações no texto e anotações. Outro ponto forte é a acessibilidade, estes aparelhos proporcionam configurações como alterar tamanho da fonte, mudança para modo escuro, ajuste no brilho da tela e software para leitura de voz do que está escrito, elementos essenciais para quem possui deficiências visuais ou analfabetismo. Além disso, dispositivos eletrônicos emitem luz própria, facilitando a leitura em ambientes escuros.

Para os leitores que gostam de praticar a leitura de mais uma obra diferente, os aparelhos disponibilizam de memória interna capaz de armazenar dezenas ou centenas de livros digitais de vez. Também é útil para estudos e pesquisas, proporcionando a consulta de informações em diferentes fontes.

A vantagem dos livros digitais não apenas no espaço interno dos dispositivos, mas também no espaço externo que ocupam. Tais aparelhos são fáceis de se transportar, por vezes mais leves que um impresso. Além de facilitar o transporte, também pode-se equiparar o armazenamento de uma estante de livros em um único dispositivo.

Voltando para as desvantagens, os e-readers são aparelhos eletrônicos que em algum momento ficarão obsoletos e precisarão ser atualizados e trocados, causando um custo recorrente para o usuário. Assinaturas de bibliotecas digitais podem ser suspensa caso não haja o pagamento do serviço, ou seja, um aluguel de uma obra ao invés de se ter uma obra. As telas que emitem luz provocam cansaço nos olhos, sendo um hábito prejudicial quando o uso é constante e duradouro.

São aparelhos eletrônicos dependes de recargas e de internet para baixar os arquivos, reféns de locais que possuam recursos elétricos e wi-fi. Uma reclamação constante de usuários de meios eletrônicos são os anúncios, que por vezes podem atrapalhar a leitura.

Livros físicos

Apesar de muitos terem afirmados que os livros impressos seriam extinguidos como o CDs e o disco de vinil, este formato de obra literária mostrou-se atemporal e está firme até hoje no coração dos leitores. Estantes cheias de títulos e lombadas ainda enchem os olhos e provocam admiração (por vezes, inveja). Ao perguntar por estes consumidores o porquê de manter a preferência no papel, as respostas resumem-se em experiência de leitura.

Livros físicos proporcionam experiência visual, tática e olfativa. Quem nunca admirou uma linda capa, cheirou um exemplar novo e sentiu a textura do papel. O objeto incentiva também a geolocalização de títulos, páginas nas margens, parágrafos, noção de início e fim. A percepção tátil também é explorada ao segurar um livro e dimensionar o quanto já foi lido e quantas páginas ainda faltam para finalizar, também fornece noção ao leitor de metas e tempo de leitura.

Profissionais pedagogos e neuropsicólogos defendem o uso dos livros impressos devido à capacidade humana de melhor concentrar-se na leitura neste meio antiquado. Além disso, não há anúncios e notificações para distrair a experiência. Não somente a concentração, mas a compreensão do texto é melhor quando comparada através dos meios digitais.

Ao contrário das telas dos dispositivos, o papel não emite luz de si, não sendo prejudicial aos olhos em leituras longas. As páginas refletem a luz do ambiente, sendo mais difusa, suave, agradável e menos cansativa. Características óbvias, mas que são vantagens para os exemplares impressos é o fato de não precisarem de acesso à internet ou recargas de baterias, podendo ser utilizados em locais isolados e remotos.

O que os leitores mais argumentam em favor do livro físico é a experiência de manusear uma impressão. Os sentidos humanos são mais ativados, como a visão, o olfato e o tato. A riqueza de detalhes no trabalho gráfico das editoras aposta na admiração do consumidor em uma boa capa, proporcionando um bom papel, ajustando uma fonte confortável e com margens espaçadas. A impressão de imagens de qualidade também incentiva o uso do papel para HQs, graphic novels, fotografias e arte. Leitores também criam laços com o livro que está para ler ao abrir e sentir o cheio do papel e da tinta.

Sabendo disso, as editoras apostam cada vez mais no visual gráfico das obras literárias e no apelo de colecionadores que compram os impressos para expô-los nas suas estantes. Tais recursos são muito utilizados na decoração de ambientes e cenários, perfomance já debatida aqui nas colunas como “Você é um leitor performático?” e “O Uso de Livros como Performance Estética”.

As desvantagens desse formato envolvem a abertura de espaço físico para manter uma certa quantidade de livros a mãos, despendiando investimento em estantes e prateleiras. Também ocupa espaço em bolsas e pesam ao serem carregados de um lugar para outro. Armazenar uma quantidade de livros exige limpeza constante, além da deterioração natural do papel devido ao mofo ou as traças. Mercadologicamente, a impressão de um exemplar é mais cara quando comparada à sua versão digital, o leitor gasta mais com este formato do que com o outro.

Impactos ambientais do livro físico e do digital

Há críticas para ambos os formatos, enquanto a versão física composta de papel envolve a ceifação de árvores, os dispositivos digitais utilizam metais raros e seu extrativismo também impacta o ambiente.

Conforme a mesma matéria do G1, um livro de bolso ou de brochura possuem impacto climático três vezes maior ou equivalem a cerca de um quilo de CO2(gás carbônico), uma média equivalente a recarregar 122 smartphones. Sabendo disso, editoras vem investindo em papeis mais ecológicos e apostando em inovações tecnológicas que possam diminuir o impacto ambiental. Além disso, há despesas envolvendo o transporte destes livros na logísticas gráfica-livraria-consumidor, normalmente usando queima de combustíveis fósseis dos veículos para o transporte terrestre, aéreo e marinho.

Enquanto isso, os livros digitais são uma das alternativas para diminuir a derrubada de madeira e preservar a vida selvagem. Porém, o impacto negativo provém dos recursos hídricos, quem são utilizados para manter os datacenters de armazenamentos de arquivos. A construção desses aparelhos envolve uso de metais e plásticos. Peças e baterias são produzidas a partir de metais e minerais raros, como cobre, lítio e cobalto, a extração destas substâncias provocam o desmatamento da área e a contaminação do solo ao seu redor. Já o plástico é um material produzido a partir de combustíveis fósseis, seu descarte e resíduo contaminam o ambiente e chegam ao organismo humano através de microplásticos.

Qual é o melhor formato?

Não há uma resposta certa para a pergunta “Qual o melhor formato?”. Ambos possuem vantagens e desvantagens que serão mais bem aproveitados de acordo com a necessidade de cada leitor. O que muitos fazem é usufruir dos dois formatos para situações diferentes do dia a dia. Eu particularmente prefiro os livros físicos, mas uso também de versões digitais, principalmente provindos de autores independentes.

Cabe também os incentivos governamentais e os investimentos empresariais para melhorar cada vez mais o processo fabril de obras literárias, seja o digital ou o impresso, para que possam chegar nas mãos dos consumidores causando o menor impacto possível no meio ambiente.

Luminária é a coluna literária na qual conversaremos sobre livros a cada quinze dias. Para mais conteúdos literários, acesse o portal.

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