O clássico da literatura brasileira “Capitães da Areia”, do escritor Jorge Amado, será adaptado para a versão em quadrinhos. O artista Rodrigo Rosa assina o projeto e a editora Quadrinhos na Cia. lançará em 2027.

“Capitães da Areia”, do escritor baiano Jorge Amado, já se tornou um clássico da literatura brasileira do século XX. É um dos romances mais conhecidos do autor e já foi adaptado para filme em 2011, com título homônimo. Sua primeira publicação aconteceu em 1937 e, atualmente, os livros saem pela Companhia das Letras, casa editorial que lançará a nova versão em quadrinhos através do selo Quadrinhos na Cia.
O projeto de adaptação desta obra clássica para o formato de HQ será realizado por Rodrigo Rosa. O quadrinista iniciou o trabalho em 2023, com previsão de lançamento no segundo semestre de 2027, quando o título completará 90 anos. Será um trabalho para todos os públicos e também será enviado para as escolas.
O quadrinista e a adaptação de clássicos da literatura
O artista é editor da Figura Editora e não é a primeira vez que adapta uma obra clássica para a versão em quadrinhos. Livros como “Os Sertões – A Luta”, “Macunaíma”, “Grande Sertão: Veredas”, “O Cortiço” e “Dom Casmurro” já ganharam ilustrações através do trabalho de Rodrigo Rosa.
A novidade para Rodrigo Rosa nessa nova empreitada é que o artista fará tudo sozinho. Nos projetos anteriores, o quadrinista contava com pelo menos um assistente para fazer a cor base das páginas. Ele explica que “Como acabei optando por uma colorização digital que simula a aquarela, essa é uma técnica muito pessoal e então eu estou tomando conta de tudo”, declarou para o Fora do Plástico.

A adaptação promete ser fiel ao livro original, o artista revelou que “a época e as características dos personagens serão mantidas, mas vai haver alguns cortes de poucos episódios e uma reformulação de algumas situações, para se adequarem à linguagem dinâmica que quero dar à HQ”.
Sobre o livro e a problemática de Capitães da Areia
A obra retrata a vida de um grupo de menores abandonados que vivem nas ruas da cidade de Salvador, abrigando-se em um trapiche e sobrevivendo por meio de pequenos furtos. Esses jovens, marginalizados pela sociedade, são conhecidos como os “Capitães da Areia”. A narrativa acompanha o cotidiano do grupo, formado por crianças e adolescentes submetidos à pobreza extrema, à repressão policial e ao abandono institucional.

Retrata os meninos como moleques atrevidos, malandros, espertos, famintos, ladrões, agressivos, falsos, soltos de língua, carentes de afetos, de instrução e de comida. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, vem uma sequência de pseudo-reportagens no Jornal da Tarde, que caracterizam-nos e mostram diversas visões e opiniões sobre o caso.
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